Alargamos horizontes e descobrimos os melhores destinos de viagem na Magazine 6A, a nossa revista digital mensal. Um novo canal, disponível em 14 edições e 11 línguas, para continuar a inspirar a sua vontade de conhecer o mundo. Sente-se e siga-nos nesta aventura que agora começa.

Capa

Numero 9

Dezembro 2016

Lisboa

Lisboa

Histórias de rua

“A terra firme é apenas uma zona de passagem”

Aventura

Os melhores lugares do mundo para as fotografias de casamento

Romântico

Viver como um rei no Rajastão

Luxo

Resumo

Magazine

Resumo

Resumo

Numero 9

Lisboa

Histórias de rua

Brilha Lisboa espelhada no Tejo, por cujas renovadas margens os lisboetas passeiam agora com mais orgulho, pois o tempo só engrandeceu a sua beleza.

Raquel Tavares

“São as pessoas que fazem as cidades”

Com notas tradicionais e acordes contemporâneos, a fadista Raquel Tavares e o compositor e músico Rodrigo Leão escrevem a partitura e dão voz a Lisboa.

Rodrigo Leâo

“Lisboa está presente na minha música”

A carreira de Rodrigo Leão é uma metáfora da evolução de Portugal. Sem renunciar às suas raízes e tradições, absorveu influências do exterior para levar a sua música a todo o mundo.

Romântico

Os melhores lugares do mundo para as fotografias de casamento

O cenário pode ser a diferença entre um casamento convencional e um extraordinário. Com certeza ambos serão inesquecíveis, mas o segundo terá melhores fotografias.

Jovens

Nimbin: o último reduto hippie

Comunas ainda ativas, caravanas com o símbolo da paz e t-shirts psicadélicas em plena natureza. Viajamos no tempo até Nimbin, o último paraíso hippie.

Luxo

Viver como um rei no Rajastão

Salões atapetados, troféus de caça e camas de dossel. Os marajás transformaram os seus palácios em hotéis de luxo que recriam o seu antigo esplendor. São os Hilton da Índia.

Escapedelas

Kiribati: comece o ano novo antes do mundo inteiro

É um dos países menos visitados do mundo e os seus habitantes serão os primeiros a dar as boas-vindas a 2017. Venha celebrá-lo com eles num paraíso inexplorado.

Aventura

“A terra firme é apenas uma zona de passagem”

Não está disposto a viver longe dos oceanos. Procura “descobrir novos mares” e também as “culturas que o rodeiam”. “Analisar a relação que os humanos têm com o mar”, descreve Enric Adrian Gener, que percorre o mundo a fazer fotografia subaquática.

Top 6a

Os mosteiros mais inacessíveis

A devoção religiosa ergueu santuários nos lugares mais recônditos do planeta. Chegar a estes templos é quase um milagre, mas não o fazer é um pecado.

Travelbeats

Aqui, estão à sua espera os hotéis e os restaurantes da moda, as galerias mais inovadoras, novas aberturas e os lugares mais it do planeta.

Equipa

O Conteúdo da presente publicação digital (www.passenger6a.com) foi disponibilizado pela CENTRO DE INFORMACIÓN TURÍSTICA FEED BACK S.L., com sede na C/ Santiago Bernabeu, 10, 3º - B, Madrid 28036 e CIF B-82065137 (doravante, “TRAVELVIEW”). 

A TRAVELVIEW é a detentora de todo o Conteúdo da publicação digital, em particular, imagens, vídeos, artigos e conteúdos editoriais de Informação Turística variada.

A TRAVELVIEW produziu, de modo simplesmente informativo, o Conteúdo da publicação digital, em particular, imagens, vídeos, artigos e conteúdos editoriais de Informação Turística variada, cabendo aos Utilizadores a responsabilidade de se informarem e cumprirem os requisitos necessários para a realização de qualquer viagem (em relação a passaporte, vistos, vacinas, etc.).

TUI Spain S.L.U, sociedade sediada na Calle Mesena, 22, 2º Derecha, 28033 – Madrid (Espanha), é a concessionária exclusiva do referido Conteúdo.

Assim, autoriza-se a visualização e o download do Conteúdo desta publicação digital apenas para uso pessoal e não para uso comercial. Os Utilizadores não poderão, em caso algum, transferir o referido Conteúdo para terceiros, pessoas ou entidades. Do mesmo modo, está expressamente proibido copiar, distribuir, alterar, reproduzir, transmitir, publicar, ceder ou vender o Conteúdo contido nesta publicação digital, bem como criar novos produtos ou serviços a partir do Conteúdo desta publicação digital.\n

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Reportagem - Lisboa

Magazine

Destino

Lisboa

Histórias de rua

Texto:

Guadalupe Rodríguez

Fotos:

Carlos Luján

Video:

Kreativa Visual

Brilha Lisboa espelhada no Tejo, por cujas renovadas margens os lisboetas passeiam agora com mais orgulho, pois o tempo só engrandeceu a sua beleza.\n

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isboa não mudou, evoluiu. Mais de 3,5 milhões de turistas visitaram a capital portuguesa em 2015, em linha com o aumento de 20% registado no turismo em Portugal durante esse ano. Se Lisboa está há uns cinco anos na agenda do turista internacional, também o turista está na mira da cidade. \n

Uma das virtudes de Lisboa é ter sabido reutilizar o seu passado.

Um dos fatores que torna a sua estadia mais interessante é a renovação da oferta hoteleira, com o aparecimento de hotéis boutique com esplanada em zonas centrais, como o H10 Duque de Loulé, o Hotel Bairro Alto ou o Memmo Alfama, e a proliferação de hostels de design, desde o The Independente, na zona popular do Príncipe Real, até ao Brickoven, aberto num palacete que serviu como convento.\n

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Aos vários atrativos de Lisboa, como a sua imensa riqueza monumental, a personalidade dos edifícios decorados com azulejos e a gastronomia diversificada, somou-se a recuperação de zonas industriais degradadas e da zona ribeirinha do Tejo, para oferecer novas alternativas de lazer e cultura aos turistas e aos lisboetas. Desde a esplanada verde da atual Ribeira das Naus, ao lado da Praça do Comércio e onde a escultora Joana Vasconcelos reinventou em estética pop o tradicional galo de Barcelos, até ao recém-inaugurado Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia MAAT, próximo de Belém, que quer converter-se no Guggenheim de Lisboa.
 
“A crise foi boa para a criatividade”, assegura Roger Mor, enquanto nos guia pela LX Factory. É uma antiga fiação, convertida agora num pequeno bairro onde trabalham mais de mil pessoas, relacionadas com profissões artísticas e liberais.\n

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Cataplana com vista para o rio

Se aquilo que procura é aventurar-se na cozinha tradicional portuguesa, então deve conhecer as suas cataplanas. Guisados marinheiros à base de batata e peixe ou marisco, embora também possam ser feitos com carne e que recebem o nome da caçarola com tampa, onde são elaborados. Se, além disso, conseguir degustá-la numa esplanada da Praça do Comércio, como a do Populi, então só falta o sol para que o programa seja perfeito.\n

Entre as galerias de arte, lojas, restaurantes, coworkshops e até uma escape room de ambiente burlesque, destacam-se a Landeu, uma cafetaria que apenas serve bolo de chocolate e a livraria Ler Devagar. Nesta antiga imprensa habitam as esculturas cinéticas de Pietro Proserpio, que conferem ao lugar um ambiente que recorda os filmes Amelie ou A invenção de Hugo. Tal como muitos outros estabelecimentos, recuperou e reutilizou o mobiliário da fábrica. Por sua vez, o restaurante e bar Rio Maravilha apropriou-se do antigo refeitório e sala comum dos trabalhadores para criar um espaço onde partilhar experiências, sobretudo ao entardecer, na esplanada ao lado da ponte 25 de Abril.\n

Main Side, a promotora imobiliária onde trabalha Mor, pretende devolver a alma aos lugares. Tal como levou a arte à LX Factory, com os grafítis do artista brasileiro Derlon, respeitou o passado mas ofereceu-lhe um futuro novo. Na noite lisboeta converteu em imperdíveis a Pensão do Amor, antigo prostíbulo e agora bar da moda com espetáculo de pole dancing incluído, ou o restaurante Casa de Pasto, com uma tasca de vinhos no rés-do-chão e uma sala de jantar no andar de cima decorado como uma casa tradicional, que mistura elementos kitch, como porcos voadores na sala de fumadores, e uma cozinha muito interessante. Ambos ficam na zona do Cais do Sodré, onde se encontra também o Time Out Market, no Mercado da Ribeira. Exemplo, a par com o Mercado de Ourique, da convivência dos mercados tradicionais com pequenas bancas take away, atrás das quais estão por vezes chefes conhecidos, para degustar nas mesas comuns.
 
“A cozinha é a cultura de um povo e a melhor forma de o conhecer”, assegura José Avillez, chefe com duas estrelas Michelin, que trouxe criatividade e técnica à cozinha portuguesa sem renunciar aos sabores e produtos tradicionais. Além do restaurante Belcanto, abriu em Lisboa estabelecimentos mutiespaços, como o Bairro e o Cantinho do Avillez, onde podemos comprar charcutaria, queijos ou conservas e degustar as suas receitas mais informais. Estas iniciativas recentes, como a do Palácio Chiado, que converteu em bares e restaurantes alguns aposentos de uma residência palaciana da família do Marquês do Pombal, são alguns dos novos espaços que demonstram como o panorama gastronómico em Lisboa é mais do que bacalhau e sardinhas. “Ainda falta a estabilidade financeira dos restaurantes que abrem, uma maior presença das cozinhas de fusão e chefes internacionais que venham cozinhar para Lisboa”, acrescenta Avillez. \n

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A costa lisboeta

A Doca de Santo Amaro, zona de lazer adjacente ao porto desportivo, é um bom lugar, tanto para almoçar ou jantar, como para entrar numa lancha para percorrer o rio ou, melhor ainda, embarcar num veleiro, como aqueles oferecidos pela empresa e escola de navegação Terra Incógnita, para abeirar-se das localidades costeiras de Cascais, Estoril, Sesimbra ou Comporta, onde o jet-set internacional aproveita as suas extensas praias.\n

Duarte Calvão, o crítico gastronómico e diretor do festival Peixe em Lisboa, concorda que, apesar de Portugal ter recebido influências de várias culturas, a gastronomia das antigas colónias, como Angola, Cabo Verde, Brasil ou Goa, não estão suficientemente representadas. Um dos pioneiros na introdução em Lisboa da gastronomia internacional foi o chefe Kiko Martins. Após percorrer 23 países, em pouco mais de um ano, carregou o seu GPS pessoal com mapas de sabores e trouxe o mundo para Portugal, segundo as suas palavras. “Não gosto de chamar-lhe cozinha de fusão, porque a cozinha já é fusão por si própria”, esclarece o chefe, cujo último restaurante, O Asiático, acaba de se unir às suas propostas A Cevicheria, de cozinha peruana, e O Talho, centrado nas carnes.
 
Mesmo assim, a oferta atual de restauração em Lisboa satisfaz a procura de todos os públicos. “É um bom momento. Faz-se uma cozinha mais elaborada e as iniciativas são mais recetivas ao gosto do público”, acrescenta Duarte Calvão. É possível encontrar desde restaurantes baseados no bom produto, como as propostas do pioneiro restaurateur Olivier da Costa: o K.O.B e o Yakuza, até tabernas onde petiscar pequenos pratos ou porções com um vinho, herdeiras das antigas carvoarias governadas por galegos. A Taberna da Rua das Flores, que compra diretamente a produtores portugueses, de preferência produtos biológicos, é um bom exemplo destas iniciativas mais inovadoras da cozinha tradicional portuguesa, mesclada com outras culturas no cenário recriado com os elementos da antiga barbearia, farmácia e quartéis de bombeiros, em cuja porta esperam os clientes por uma mesa livre.\n

Sem esquecer também a oferta doce das numerosas pastelarias de Lisboa, dos famosos pastéis de nata aos bombons da Bettina e Niccolò Corallo. Acompanhado sempre com um café, que em Portugal é sempre forte, torrado, mistura de arábica e robusta. Para terminar: uma ginjinha, o tradicional licor de ginjas que se compra e degusta nos estabelecimentos em redor da Praça do Rossio.\n

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Compras de artesanato e design

Tal como a restauração de Lisboa, os designers também souberam misturar a qualidade do seu artesanato tradicional como um toque mais contemporâneo. No palacete e agora centro comercial Embaixada, na Praça do Príncipe Real, reúnem-se em redor de um pátio de estilo neoárabe designers, artistas e antiquários portugueses. Os cadernos e cadernetas, cosméticos, produtos têxteis, de cortiça e de cerâmica que podemos encontrar aqui e noutras lojas como A Vida Portuguesa, More than wine, Claus Porto ou Cerâmicas na Linha, são produzidos há décadas da mesma forma, embora agora pareçam elaborados expressamente para o gosto vintage do turismo. Porque uma das qualidades de Lisboa é ter sabido reutilizar, e até recriar, o seu passado, valorizando-o.

Os produtos artesanais são apresentados envoltos num excelente design, algo que importa promover mais, de acordo com Helena e Miguel Amante, oitava geração de designers e fabricantes de sapatos da firma Eleh. Na oficina recuperada que preserva a sua autenticidade no Bairro Azul de Lisboa defendem a diferenciação dos produtos Made in Portugal e de Lisboa, uma cidade onde “não se encontra o mesmo que noutras cidades europeias”. Uma prova disso é quando o melhor souvenir é uma lata de conservas de peixe.\n

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Entrevista - Raquel Tavares

Magazine

Entrevista

“São as pessoas que fazem as cidades”

Passageiro do mês

Raquel Tavares

Com notas tradicionais e acordes contemporâneos, a fadista Raquel Tavares e o compositor e músico Rodrigo Leão escrevem a partitura e dão voz a Lisboa.\n

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O fado, um género de música popular portuguesa nascido no século XIX, é considerado transgressor e bairrista, ou seja, próprio dos bairros populares. Tal como Raquel Tavares que no seu último disco, Raquel, mostra a sua evolução desde que começou a cantar aos 6 anos. Defende a Alfama lisboeta onde vive, com toda a paixão das suas raízes ciganas. \n

A Alfama onde se encontra o Museu do Fado, onde aparece a sua imagem no mural que inclui fotografias da nova geração de fadistas à qual pertence, ao lado de nomes como Mariza, Carminho ou Ana Moura. Em vez do retrato de frente, ela apresenta-se de perfil, cantando em palco, num dos concertos que dá por todo o mundo. Mas não perdeu o gosto de ir, como público, às casas de fado onde cantou desde que tinha 17 anos, por vezes a três casas diferentes por noite.
 
“O fado acontece onde há um fadista, uma guitarra portuguesa e uma guitarra clássica. Onde pode ser ouvido? Felizmente há muitas casas de fado nos bairros de Alfama, Bairro Alto e Mouraria. E embora confesse que já lá não vou tão assiduamente, há três em particular que significam muito para mim: Senhor Vinho, a Adega O Faia e Casa de Linhares. Três casas aonde gosto de ir, com comida espetacular, pessoas fantásticas, ambiente bom, tradicional, boa música e onde me sinto como em casa”.
 
Mas é em Alfama, um dos bairros mais típicos de Lisboa, que Raquel Tavares se sente mais em casa. Neste local onde as tascas de petiscos tradicionais se sucedem às casas de fado, onde os vizinhos penduram a roupa nos estendais, se cumprimentam na rua e recebem com cordialidade os turistas, que arrendam por uns dias as suas casas como se fossem mais um membro da família.\n

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Também o Chiado, que “se tornou cosmopolita sem deixar de ser tradicional”, é outro dos bairros que a fadista adora. “É um lugar onde podemos fazer compras no centro antigo. É um lugar sublime, como a Baixa e o Castelo de São Jorge, por motivos óbvios. Não apenas pelas suas vistas incríveis, mas também pela sua história. Tal como são incríveis as zonas arquitetónicas de Belém e do Mosteiro dos Jerónimos”.
 
Contudo, reconhece que gosta do lado mais popular da cidade. “Onde quer que vá quero estar com as pessoas que lá vivem. É verdade que Belém é lindo, mas são as pessoas que fazem as cidades. Portanto, parece-me mais interessante percorrer os bairros, como o Bairro Alto, a Mouraria ou o Cais do Sodré, com todo o tipo de música noturna, com pessoas sem preconceitos, porque Lisboa é uma cidade muito aberta.”
 
O tamanho da cidade, com um milhão de habitantes, a segurança e a facilidade de deslocação por táxi são algumas das vantagens que Raquel Tavares encontra para se visitar a capital portuguesa. “Em cada dez restaurantes, nove são bons. É difícil comer mal. Que mais posso dizer? Sou de Lisboa, nota-se bem. Venham a Lisboa!”\n

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Entrevista - Rodrigo Leão

Magazine

Entrevista

“Lisboa está presente na minha música”

Passageiro do mês

Rodrigo Leâo

A carreira de Rodrigo Leão é uma metáfora da evolução de Portugal. Sem renunciar às suas raízes e tradições, absorveu influências do exterior para levar a sua música a todo o mundo.\n

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Desde que iniciou a sua carreira nos anos 80, primeiro com o grupo Sétima Legião e, posteriormente, com os Madredeus, que o compositor, teclista e guitarrista Rodrigo Leão se inspira nas raízes da música portuguesa, reivindicando instrumentos como o acordeão. Misturou-as com influências muito variadas, do pop britânico à new age e música brasileira, para construir uma carreira como compositor de bandas sonoras e de discos, ao lado de diversos vocalistas. “A música portuguesa tem uma identidade muito forte. E não é apenas o fado; também há outros grupos que se aproximam mais da música popular portuguesa”, afirma, sentado no restaurante 100 Maneiras, perto da sua casa, no mesmo sofá onde foi tirada a imagem de capa do último disco, Life is Long, com Scott Matthew.\n

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Quando não está em digressão, divide o tempo entre o Alentejo, onde tem a tranquilidade para compor, e Lisboa. Aqui gosta de passear pelo Chiado e pela margem do Tejo, desde o Cais do Sodré até Alcântara. “É um passeio de uma hora, ida e volta, com uma luz extraordinária. O Cais do Sodré e o Bairro Alto são dois sítios com muita movida noturna, com pessoas jovens, muitos bares e restaurantes. Para quem gosta de animação são os lugares mais indicados de Lisboa”. Mas para quem procure a tranquilidade, Leão recomenda a Praça das Flores, perto do Príncipe Real, e o Jardim da Estrela.
“Em Lisboa abriram espaços novos onde podemos ouvir grupos de música ao vivo, mais restaurantes... Lisboa ganhou uma nova vida, não apenas de noite, mas durante o dia também. Há uma cada vez maior oferta de espetáculos. Não apenas no verão, com todos os festivais e nos quais participam os grupos mais conhecidos de pop rock; mas também com a programação de salas, como o Coliseu do Centro Cultural de Belém, que não existia há dez anos”, congratula-se o músico.
 
“Claramente, sinto que há algo de Lisboa, de Portugal, na minha música, porque adoro viver aqui. Talvez não seja muito percetível, mas há melodias muito portuguesas. Há uma certa melancolia que é muito própria de Portugal, que está muito presente nas canções que procuro fazer”. Mas Rodrigo Leão especifica que esta melancolia ou romantismo não é necessariamente triste, mas que traz consigo uma esperança: “Há algo de tristeza, de melancolia, mas também com um pouco de poesia e de esperança. O facto de viver ao lado do mar, de ter vinho, a comida, tudo faz parte da nossa cultura”.
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Romântico

Magazine

Romântico

Os melhores lugares do mundo para as fotografias de casamento

O cenário pode ser a diferença entre um casamento convencional e um extraordinário. Com certeza ambos serão inesquecíveis, mas o segundo terá melhores fotografias.\n

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I will always love you

Por muito que o tempo passe, há lugares que nunca deixam de estar na moda para se jurar amor eterno. A Capadócia, na Turquia; Veneza e Cinque Terre, na Itália; ou Santorini, na Grécia, têm sido alguns dos destinos românticos clássicos a juntarem-se à lista. E continuam a apaixonar-nos.\n

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ão é a mesma coisa tirar uma fotografia no altar ou na catarata islandesa de Seljalandsfoss. Ou debaixo de um manto de estrelas no Yosemite National Park californiano. São alguns dos lugares escolhidos para dar o nó e levar a arte da fotografia de casamentos a outro nível, que o website especializado Junebug Weddings compilou, graças ao seu concurso fotográfico. São 50 imagens que percorrem o mundo de beijo em beijo. Nestas, os casais de recém-casados olham-se nos olhos como se não existisse nada mais no planeta. Algo difícil de entender se tivermos em conta a paisagem privilegiada que os rodeia. Montanhas e estradas desertas, mas também cenas urbanas congeladas num momento único. Também não faltam os clássicos, como a Torre Eiffel ou a Estação Central de Nova Iorque. São apenas uma pequena amostra dos milhares de fotografias enviadas para esta edição.\n

A Islândia é um dos lugares preferidos para quem procura a natureza exuberante e o romantismo selvagem para o “dia mais feliz da sua vida”. Elizabeth e Brian, que queriam encontrar um lugar “belo, aventureiro e único”, elegeram a terra do gelo. “Também esperávamos vislumbrar as luzes do norte”. Tiveram sorte, brilharam na sua noite de núpcias. Mait, da M&J Studios, estava atrás da câmara para imortalizar o momento. Para ele e para a sua assistente também foram dois dias muito especiais.

A sessão de fotografia incluiu vários locais, entre os quais o lugar mais radical que alguma vez tinham visitado. A caminho do lago glaciar de Jökulsárlón decidiram visitar uma gruta de gelo. “Forma-se no outono e é única e diferente todos os anos, pois na primavera derrete completamente. Estar ali em março foi um milagre”. O milagre não passou desapercebido ao júri que incluiu uma das fotografias desta gruta na sua seleção dos melhores destinos de casamento de 2016.\n

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Foto: James Frost

Bombo Quarry, Australia

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A catarata Seljalandsfoss, com 60 metros de altura, é uma das poucas que podemos ver do interior.

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Os mesmos recantos solitários, mas na outra ponta do mundo. A Nova Zelândia e a Austrália são outras das opções preferidas dos amantes do inóspito. Como Maria e Pat. James Frost fotografou-os a desafiar as ondas em Bombo Headland Quarry, na Nova Gales do Sul. As gigantescas colunas de basalto recordam a irlandesa Calçada dos Gigantes, mas banhada pelo mar da Tasmânia. Para aqui chegar temos de nos desviar da Kiama Coast Walk, que percorre outros lugares dignos deste peculiar álbum de fotografias de casamento, como o parque nacional Rock Cathedral ou o géiser de Kiama. A 11 horas e a mais de 1000 km casaram Angie e Doug. Toowoomba, em Queensland, oferece uma paisagem de planura campestre.

A mãe da noiva acompanhou o fotógrafo Van Middleton no jeep e ajudou-o a escolher os sítios “que Angie e a sua família sentiam ser especiais”. Este detalhe é transmitido pela sua imagem vencedora, com os esposos a abraçarem-se debaixo de uma árvore gigantesca. Talvez a mesma, onde deram o primeiro beijo ou gravaram as suas iniciais.\n

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Foto: Virginia & Evan Studios

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Amor no paraíso

Os casamentos em lugares paradisíacos não são apenas para celebrities. Alain Brin, especializado em enlaces tropicais, demonstra-o com a fotografia de um casal rodeado de cardumes de peixes, na Turtle Bay Beach, Ilhas Virgens. Outras imagens em cenários exóticos são das Seicheles, Fiji ou Varanasi, na Índia.\n

Foto: Cole Roberts/ Nordica Photography

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Foto: Chaz Cruz Photographers

Queenstown, New Zealand

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Foto: Claire Morris Photography

Paris

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Foto: Clarkie Photography

Yosemite National Park, California

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Foto: Gabe McClintock Photography

Iceland

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Foto: Catia Aguiam Fotografas

Montserrate Palace, Sintra

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Foto: Helena and Laurent

San Francisco, California

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Foto: Holly Wallace Photos and Film

Queenstown, New Zealand

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Foto: Jonnie + Garrett Wedding Photographers

Imperial Sand Dunes, California

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Foto: June Photography

Kaneoha, Hawaii

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Foto: M&J Studios

Iceland

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Foto: Nordica Photography

Hamar, Norway

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Foto: Sergio Cueto

Higüey, República Dominicana

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Foto: Shari + Mike Photographers

Santorini, Greece

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Foto: Terralogical

Bali, Indonesia

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Foto: Tin Martin

Bali, Indonesia

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Foto: Van Middleton Photography

Pilton, Australia

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Jovens

Magazine

Jovens

Nimbin: o último reduto hippie

Comunas ainda ativas, caravanas com o símbolo da paz e t-shirts psicadélicas em plena natureza. Viajamos no tempo até Nimbin, o último paraíso hippie.\n

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ma aldeia pecuária em declínio foi o palco para a “revolução de Aquarius”, em 1973. Centenas de jovens em busca de um destino encontraram em Nimbin, Austrália, a paisagem perfeita para organizarem o Festival Aquarius. O monte Warming guarda o vale onde mais de 10 mil pessoas se encontraram no “Woodstock australiano”. A cultura underground, a exaltação da liberdade e o contacto com a natureza contribuiu, nesse verão do amor, para o nascimento do movimento hippie na Austrália.\n

Foto: Lismore City Council

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Os hippies chegaram a Nimbin e ficaram. Muitos dos participantes no festival instalaram-se na aldeia e formaram comunidades, como a Tuntable Falls, ainda ativa com 200 membros, que pretendiam construir novas formas de vida sustentáveis.\n

Os hippies chegaram a Nimbin e ficaram.

Quatro décadas depois, a sua arquitetura peculiar, as furgonetas com flores e os desenhos psicadélicos conferem a Nimbin a decoração perfeita para ficar suspenso no tempo. Parte da culpa cabe de Vernon Treweeke, o pai da arte psicadélica da Austrália. Com a ideia de recuperar edifícios antigos para o festival decidiu desenhar centenas de arco-íris que atualmente continuam a decorar as fachadas.\n

Foto: Lismore City Council

Aqui, a prática de ioga e a meditação não são uma moda, mas um estilo de vida.

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Foto: RENATO SEIJI KAWASAKI / Shutterstock.com

Os mercadinhos refletem a miscelânea do lugar, onde podemos comprar desde produtos artesanais e objetos de segunda mão até plantas ou comida caseira.

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Para além da estética perdura o espírito da comunidade original que conseguiu encher de esperança a região. Em 1979 conseguiram convencer o governo da Nova Gales do Sul a implementar uma legislação que proibisse a destruição da selva. O movimento verde Greenies continua ativo nos nossos dias, promovendo a tomada de consciência política na proteção da natureza. O estilo de vida pausado e criativo é fomentado com ações como o Festival de Cinema Jovem de Nimbin, o apoio ao consumo de produtos locais e a prática de atividades para o bem-estar, como ioga ou a meditação. Inúmeros projetos artísticos da região estão reunidos no Museu de Nimbin, que, além disso, conserva o testemunho da história da aldeia desde a “revolução de Aquarius”.\n

Let the sunshine in

Quintas abandonadas no meio de uma selva tropical, cascatas e solos vulcânicos. A natureza é quem mais ordena no vale de Nimbin, considerado como um lugar sagrado pelo povo nativo Bundjlung. Um antigo vulcão dorme sob o monte Warming, junto às cascatas Killen Falls e à selva tropical Big Scrub.\n

Foto: Lismore City Council

De cima do Monte Warming seremos os primeiros a observar o amanhecer, já que é o primeiro ponto, da parte continental da Austrália, para se ver o nascer do sol.

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Com uma população rural de cerca de 10 mil pessoas, distribuídas por todo o território, e umas 350 recenseadas só na aldeia, Nimbin sobrevive ao novo século e continua a ser um foco de atração para mochileiros, lifestylers, aspirantes a hippies e músicos. Como disse o escritor Austin Pick: “De facto, Nimbin é um lugar estranho. É como se uma avenida de Amesterdão, cheia de fumo, se tivesse deslocado para o meio das montanhas”. Aqui as plantas de cannabis convivem com os legumes nas hortas. Ainda que só esteja legalizado o consumo de derivados, os habitantes reivindicam-no com orgulho como mais uma batalha que ganharam ao sistema.

À noite, o pó das ruas mistura-se com as luzes das quintas, o fumo da marijuana e os sons da selva. A poesia e o jazz ouvem-se no interior de alguns locais, como o mítico Rainbow Café. O verão do amor está longe, mas a sua essência resiste. "Às vezes pergunto-me porque vivo aqui”, confessa Mandie, uma das fundadoras de Tuntable Falls: “Então, algo realmente especial sucede, olho em redor e volto a aperceber-me de que vivo aqui pela proximidade que existe entre as pessoas, a espontaneidade e a criatividade que se cria".\n

Foto: harryws20 via Foter.com / CC BY

Em 1973 os jovens apoderaram-se da aldeia e desde então foram mantidas muitas das construções originais. Uma das marcas de identidade de Nimbin.

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A região do arco-íris

A área que rodeia a aldeia é conhecida como a Rainbow Region devido aos desenhos que Vernon Treweeke espalhou pela cidade em 1973. Desde então, surgiram novos murais e outros tantos foram restaurados. No 40.º aniversário do festival, Vernon voltou a Nimbin para pintar uma pizzaria.\n

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Luxo

Magazine

Luxo

Viver como um rei no Rajastão

Salões atapetados, troféus de caça e camas de dossel. Os marajás transformaram os seus palácios em hotéis de luxo que recriam o seu antigo esplendor. São os Hilton da Índia.\n

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providência criou os marajás para oferecer um espetáculo ao mundo”, escreveu Rudyard Kipling, autor de O livro da selva. Até 1947, ano da independência do Império Britânico, os governantes dos estados da Índia saíam para praticar shikar (a arte da caça) de Rolls-Royce, encomendavam móveis, obras de arte e joias às empresas europeias mais prestigiadas e praticavam a hospitalidade com banquetes para centenas de convidados. Durante séculos, viveram em fortalezas muralhadas ou em palácios com terraços e jardins, com alas separadas para as mulheres e os servos.\n

Agora já é possível partilhar esta vida faustosa. Os marajás abriram os seus palácios, acampamentos de caça e residências de verão, cuja manutenção e restauro se tornavam demasiado dispendiosos, e convivem com os hóspedes, partilhando a história da sua família. Trocaram o hedonismo por um turismo sustentável e as excentricidades pela recuperação do património artístico e pelo trabalho em favor do desenvolvimento da comunidade.\n

A corte real

Os proprietários nobres e os ministros também construíram palácios e retiros de férias perto dos marajás de forma a imitarem o estilo de vida opulento dos dirigentes. Algumas destas residências são agora hotéis, como o Samode Palace e o Samode Bagh, Narain Niwas Palace ou Castle Kanota.\n

Foto: SUJÁN Rajmahal Palace, Relais & Chateaux

O hotel Samode Palace está situado numa fortaleza rajput do século XVI, a 40 km de Jaipur.

No Rajastão, no nordeste da Índia, encontra-se o Umaid Bhawan Palace, a sexta maior residência privada do mundo. Parte desta fortaleza de arenito, em Jodhpur, é um hotel da prestigiada cadeia Taj Hoteles. Decorado em estilo art deco, inclui 10 hectares de jardins com pavões, uma piscina subterrânea e um museu da família real. Localizado numa colina, permite desfrutar de vistas de toda a cidade e da fortaleza de Mehrangarh.

Outra das propriedades do marajá de Jodhpur é o Forte de Ahhichatragarh, também conhecido como Forte de Nagaur. Após 20 anos de trabalhos de restauro, o hotel Ranvas Nagaur recuperou a sofisticada atmosfera que serviu de refúgio às mulheres da família real. Está dividido em 27 quartos, distribuídos por dez havalis, construções tradicionais do Rajastão, que têm o seu próprio pátio com pórticos. Também podemos alojar-nos no Royal Tents Nagaur, um acampamento de tendas luxuosamente preparado dentro da fortaleza do século V. É o lugar perfeito para usufruir do entardecer, depois de um passeio de jipe a perseguir gazelas e antílopes pelos arredores. Não menos impressionante é o Ramathra Fort, uma cidadela de 350 anos, no distrito de Karauli. Como a família do filme O Exótico Hotel Marigold, os descendentes do primeiro proprietário, o filho do marajá de Karauli, restauram-no durante 15 anos para convertê-lo num hotel com 110 quartos.\n

Foto: SUJÁN Rajmahal Palace, Relais & Chateaux

A suite Jackie Kennedy está decorada, como o resto do hotel, com pinturas e móveis pertencentes à família e um vistoso papel pintado com motivos tradicionais.

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Turismo consciente

Os alojamentos de luxo do Rajastão são bastante peculiares uma vez que a família proprietária do imóvel, veja-se o caso de Ravla Bhenswara ou do Shahpura Bagh, convive, recebe e entretém o hóspede como se fosse um convidado. O preço do alojamento serve para manter o edifício e as infraestruturas das comunidades onde se situam, além de financiar a educação e os artesãos.\n

Foto: Samode Hotels

Na entrada do hotel Samode Haveli foi construída uma rampa para elefantes, por ocasião de uma boda da família real, em 1940.

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Kiribati: comece o ano novo antes do mundo inteiro

É um dos países menos visitados do mundo e os seus habitantes serão os primeiros a dar as boas-vindas a 2017. Venha celebrá-lo com eles num paraíso inexplorado.\n

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ecebe menos de 6000 turistas por ano e um deles foi o escritor Robert Louis Stevenson. O autor de A Ilha do Tesouro visitou, no século XIX, uma das 33 ilhas coralinas deste arquipélago. O que, ainda assim, não as transformou num destino paradisíaco da moda, com as suas praias de areia branca, águas azul-turquesa, um passado exótico e um futuro incerto.

Kiribati é um arquipélago minguante. “O nosso país é 99,99977% água”, afirmam no posto de turismo. Uma percentagem que não para de crescer. Os habitantes fazem campanha contra a mudança climática porque sabem que a sua casa está em perigo. Mas não se rendem e continuam a celebrar cada ano como se fosse o último. E são os primeiros a fazê-lo. Três horas antes de Sidney e quase um dia antes de Los Angeles, com 21 horas de diferença. Recordam com um carinho especial a entrada no novo milénio. Caroline Island, na zona sul, passou a chamar-se Millennium Island, para assinalar este marco.\n

“O nosso país é 99,99977% água”

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Foto: Kiribati National Tourism Office

Só 21 das 33 ilhas estão habitadas.

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Foto: Kiribati National Tourism Office /Cat Holloway

A área protegida das Ilhas Fénix possui 408 250 km2 de biodiversidade marinha.

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Um presente para o Capitão Cook

A ilha do Natal, Kiritimati na língua local, foi batizada em 1777. Assim decidiu o famoso explorador inglês quando desembarcou no atol em 25 de dezembro desse ano. O primeiro hotel da ilha devolveu-lhe o favor séculos depois: chama-se Captain Cook Hotel.\n

Com recifes de coral intactos e uma abundante vida marinha, todo o arquipélago é ideal para praticar mergulho e snorkel. A maioria das escolas e operadores turísticos encontram-se na capital, Tarawa, e na ilha do Natal (Christmas Island). Peixes tropicais, grandes mamíferos e, sobretudo, jardins de coral coloridos esperam aqueles que se aventuram a mergulhar nas águas transparentes que rodeiam as ilhas.

O surf e a pesca são outras das principais atividades. Esta última é território quase exclusivo da ilha do Natal. Kiritimati, como é conhecida pelos locais, é um dos melhores pontos a nível mundial para pescar com mosca. Também para a pesca de flecha. Como se sublinha no posto de turismo, aqui “não existe um mau dia de pesca”. O maior atol coralino do mundo, com 388 km2, é também o lugar perfeito para a observação de aves.\n

Foto: Kiribati National Tourism Office/Chris Burkhard

A temporada de surf em Kiribati vai de outubro a março

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Foto: warrenjackson via Visual hunt - CC BY-NC

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A natureza e as atividades aquáticas assumem todo o protagonismo, mas uma viagem a Kiribati não estaria completa sem conviver com os locais. Reúnem-se no maneaba, o maior edifício da aldeia, construído com blocos de coral, madeira de coqueiro e um teto coberto de folhas. Aí dançam e contam histórias. Para usufruir plenamente da sua cultura, é recomendável também viajar no mês de julho, quando ocorrem as comemorações da sua independência.

O turismo não está muito desenvolvido, os alojamentos são simples e possuem o imprescindível. Porque Kiribati é um destino para quem procura desfrutar das coisas simples da vida. Só para autênticos viajantes. Quer ser um dos seis mil eleitos?\n

A batalha de Tarawa, entre americanos e japoneses, em novembro de 1943, deixou a sua marca em Kiribati. Os interessados em história encontrarão aqui numerosas relíquias da Segunda Guerra Mundial: búnqueres abandonados, restos de canhões na praia da ilha de Betio e memoriais de todas as fações em conflito.\n

Feridas de guerra

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Singularidades não lhe faltam: é o único país do mundo situado nos quatro hemisférios e um dos mais remotos, praticamente no coração do Pacífico. A zona habitada mais próxima é o Havai e está a 4000 km. Possui a maior zona marinha protegida daquele oceano, a área protegida das Ilhas Fénix (PIPA). Cobre oito atóis e dois recifes submarinos, uma superfície do tamanho da Califórnia. Com mais de 800 espécies de fauna, 12 montanhas submersas e recifes de coral mostrados “tal como eram há milhares de anos”, transformou-se no primeiro lugar de Kiribati a entrar para a lista de Património Mundial da UNESCO.\n

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“A terra firme é apenas uma zona de passagem”

Não está disposto a viver longe dos oceanos. Procura “descobrir novos mares” e também as “culturas que o rodeiam”. “Analisar a relação que os humanos têm com o mar”, descreve Enric Adrian Gener, que percorre o mundo a fazer fotografia subaquática.\n

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nric Adrian Gener cansou-se da vida urbana e de trabalhar numa agência de publicidade em Madrid: “Não gostava de trabalhar de segunda a sexta, das 9 às 19, e ter, com sorte, um mês por ano para poder viajar. Gosto que a minha vida seja um pouco mais desordenada”. Além disso este espanhol ansiava pelo mar. “Vivia demasiado longe, por isso nos meus tempos livres não podia fazer o que realmente me apaixonava”. Percorrer o mundo a fazer fotografia subaquática foi encontrar o equilíbrio.\n

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O fotógrafo, que não imagina a vida longe do mar, assume na imagem o papel de modelo.

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O que procuras quando viajas?
Quando penso em destinos, o país não me interessa minimamente. O meu interesse é o mar, a sua vida, o seu clima, as suas migrações. Para mim, o país, o que chamamos de terra firme, é apenas uma zona de passagem. Procuro descobrir novas paisagens marinhas e apaixona-me nadar ao lado de animais grandes: baleias, tubarões, golfinhos, jamantas...\n

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Não comas coisas do chão

As anedotas das suas viagens são muitas, mas também os ensinamentos. “Não comas coisas do chão” foi o que aprendeu no Pacífico mexicano, depois de ter estado doente durante três dias por ter provado umas “maçãzinhas verdes muito pequeninas” numa praia. “Era muito idílico, praia e maçãs, mas eram venenosas”.\n

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A figura humana aparece mais como um ator secundário, mas o principal é o mar.

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Quais são as peculiaridades da tua fotografia submarina?

A minha fotografia baseia-se no natural e no humano. A figura humana aparece mais como um ator secundário, mas o principal é o mar. Embora esse ator seja essencial para que o protagonista possa ser visto como algo importante. Como quando pões um objeto ao lado de outro para comparar a sua escala ou a sua cor. No entanto, o ser humano, sempre que se pretende compará-lo com a natureza, ficará em desvantagem, por imensidade, força, beleza...

Com que problemas te deparas ao fotografar?

Só o facto de estar sob a superfície, sem pensar na fotografia, já é um enorme desafio. Aí tens frio, sofres com a pressão, estás às escuras, molhado, sempre em movimento, não tens boa visibilidade e, como se ainda não bastasse, não podes respirar. E além disto, tentas tirar fotografias. Tecnicamente há muitos elementos que complicam a situação, mas que também podem ser utilizados em nosso favor. Por exemplo, o desaparecimento da gama de cores em profundidade, a escassez de luz, a visibilidade… Mas há coisas fantásticas, como a ausência de gravidade.\n

Foto: Enric Adrian Gener

Gener conseguiu não transformar a sua paixão numa exceção, mas sim dar-lhe um “maior protagonismo” na sua vida.

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Foto: Enric Adrian Gener

Dentro das secções do seu trabalho 27 MM, um capítulo é dedicado à vida animal.

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Tudo começou em El Hierro…

Sim, é o antes e o depois do meu modelo de vida atual. E também foi o primeiro passo para o projeto fotográfico de 27MM, que curiosamente começou com a linguagem audiovisual e não com a fotográfica. El Hierro é um lugar mágico e um dos melhores destinos de mergulho da Europa. Atraem-me as suas paisagens subaquáticas. Vulcões, paredes, saltos no vazio. Uma sensação de imensidade muito forte sob os pés. Depois fui às Caraíbas, que é o oposto. Foram cinco meses em que ia improvisando e mudando de lugar, mas a principal razão porque vim foi pela época de migração das baleias jubarte do Canadá para dar à luz as crias. E queria estar ali, na água.

O que destacarias dessas viagens?

Na Indonésia encontrei os mais belos corais que vi na minha vida. Na Austrália o paraíso das ondas. Em Tonga e República Dominicana as baleias jubarte. Em Palau o facto de ser um paraíso de conto de fadas. O Mar Vermelho com as suas águas cristalinas, abismos e corais. Nas ilhas Revillagigedo, no Pacífico, o lar dos tubarões e as jamantas gigantes. O México é a enorme biodiversidade marinha, o descobrimento dos cenotes. Belize, encontros pelágicos no azul.\n

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O fotógrafo ressalva que o seu projeto debaixo de água “nasceu livremente, da paixão, não como um trabalho. Hoje mantém-se da mesma forma”.

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Bio

Enric Adrian Gener nasceu em Menorca (Espanha), onde viveu até se mudar, primeiro, para Barcelona e, depois, para Madrid, para se especializar em arte e design. Foi longe do seu mar Mediterrâneo, onde começou a relacionar-se com a fotografia e que anos mais tarde procuraria unir com a sua maior paixão: o mar. Agora faz fotografia subaquática pelos mares que agrupa no projeto ‘27MM’ .\n

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TOP 6A

Os mosteiros mais inacessíveis

A devoção religiosa ergueu santuários nos lugares mais recônditos do planeta. Chegar a estes templos é quase um milagre, mas não o fazer é um pecado.

Templo Xuankong (Shanxi, China)

É o único mosteiro que combina as três religiões praticadas na China: Confucionismo, Budismo e Taoismo. Foi construído entre as rochas há 1500 anos para estar abrigado da chuva e da neve.

Sigiriya (Matale, Sri Lanka)

Concebido como um palácio fortificado, logo se transformou em mosteiro budista. Eleva-se sobre a imponente “Montanha do Leão” e a sua entrada está ladeada por duas garras enormes.

Katskhi Pillar (Katskhi, Georgia)

Nesta pequena igreja, que coroa um penhasco de 30 metros de altura, vive um monge solitário. Recebe apenas os visitantes masculinos que se atrevem a subir as suas escadas precárias.

Mosteiros de Meteora (Meteora, Grecia)

Os eremitas acreditavam que quanto mais alto subissem para rezar mais perto de Deus estariam. Entre os séculos XII e XII abandonaram as suas grutas solitárias para fundarem 24 mosteiros, dos quais apenas seis permanecem ainda abertos.

Taktsang Dzong (Paro, Butão)

Foi construído perto da gruta onde meditou o Guru Padmasambhava durante três anos, três meses, três semanas, três dias e três horas antes de introduzir o budismo no Butão, no século VIII.

Mosteiro Taung Kalat (Bagan, Myanmar)

Após superar os 777 degraus que conduzem até ao pagode temos de rezar para que o vulcão Popa, sobre o qual descansa este mosteiro, não decida despertar do seu sono.

Três religiões num mesmo templo

De palácio a mosteiro

Só para homens

Mais perto de Deus

A porta do budismo

Liturgia sobre o vulcão

Travelbeats

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Foto: Adrià Goula

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O bar mais bonito do mundo

“Enche-te de energia positiva”. Foi desta forma que este espaço azul e branco, com vista para o porto de Barcelona, foi descrito pelos jurados dos Restaurant & Bar Design Awards. A coquetalaria Blue Wave, agora OneOcean Bar, ganhou o prémio para o melhor design na última edição destes prestigiados galardões. El Equipo Creativo foi o responsável pelos jogos de luzes da fachada e pelos mosaicos azuis atrás do balcão. O seu objetivo era acentuar a localização excecional da nova marina OneOcean Club Port Vell. Para isso procurou um ambiente marinho, recriando uma onda que envolve os clientes enquanto provam os coquetéis da sua lista requintada.\n

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Voo com destino ao céu de Brighton

“Um cais vertical para caminhar no céu”. Assim define David Marks a sua nova criação. O estúdio Marks Barfield Architects (o mesmo que criou o London Eye) foi encarregado de erigir em Brighton um possível ícone futuro. A British Airways i360 é, com os seus 162 metros, a torre de observação em movimento mais alta do mundo. O diâmetro de 3,90 metros também faz dela a mais estreita. Com um design futurista, a plataforma de vidro (dez vezes mais larga do que uma cabina do London Eye) permite contemplar um troço de 40 km da costa sul de Inglaterra. Os “voos” para o céu de Brighton partem de meia em meia hora e têm uma duração aproximada de 25 minutos.\n

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Celebre o Natal em Hogwarts

A escola de magia mais famosa do mundo abre as suas portas a 7 e a 8 de dezembro para celebrar um banquete natalício. E os muggles podem entrar. O Salão Nobre é engalanado para receber os convidados para a ceia de Natal de Hogwarts. Após o sucesso do ano passado, os estúdios Warner Bros de Londres decidiram repetir o evento. Mas antes de entrarem no salão principal, decorado como nos filmes de Harry Potter, os participantes vão saborear um coquetel e uns canapés de boas-vindas. Já no salão, encontrarão uma varinha mágica e um banquete copioso, como aqueles que Dumbledore fazia aparecer magicamente nos livros de J.K Rowling. O jantar será seguido por uma visita aos estúdios, incluindo a Salão Comum dos Gryffindor e a Plataforma 9 e ¾, onde a sobremesa estará à espera. Por último, uma cerveja de manteiga e música para dançarem até à meia-noite. Um feliz (e mágico) Natal!\n

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O escorrega preferido de Los Angeles

Uma pessoa demora quatro segundos a descer um andar (do 70º para o 69º) do edifício mais alto de Los Angeles. Nada de extraordinário se não fosse o facto de o fazer pelo exterior do edifício, num tapete cinzento e deslizando por um escorrega transparente. O Skyslide é a atração mais emocionante do OUE Skyspace, uma plataforma panorâmica com uma vista de 360º da cidade e localizada na US Bank Tower. São 300 metros de altura e uns escassos 3 cm de vidro que separam esta “lagarta de vidro” do solo. No entanto poderíamos “pendurar duas baleias azuis nela que não se moveria”, afirma John Gamboa, vice-presidente do OUE. Quem não sofrer de vertigens deve gastar 25 dólares pela descida, preço que inclui uma visita à plataforma panorâmica.\n

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Dormir entre livros

O paraíso dos bibliófilos existe e fica em Tóquio. O hotel Book and Bed é um quarto e uma biblioteca ao mesmo tempo. Mais de 3000 obras enchem as suas estantes, nas quais se pode dormir. Dispõe de 30 camas com casas de banho comuns para dois tipos de alojamento: Bookshelf, que consiste em dormir dentro da estante, num cubículo de 120 cm a 200 cm; e Bunk, em forma de beliche. Aqui não prometem almofadas fofas, colchões confortáveis ou edredões de plumas, mas sim momentos felizes, em que se concilia o sono, enquanto se segura um livro nas mãos. E aqueles que não gostam de ler é porque ainda “não encontraram o livro certo”, como diria J. K. Rowling. É a sua oportunidade.\n

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