Capa

Numero 11

Abril 2017

India

Sherry Minnard

“Sou uma guerreira do ioga”

Snowboard em 4K

Aventura

Durma “em casa” das celebrities

Luxo

Florescer em Atacama

Natureza

Resumo

Magazine

Resumo

Resumo

Numero 11

India

Desconstruindo mitos

A Índia congrega o bulício de Deli e Bombaim com a calma dos seus centros de meditação. E essa contradição hipnotiza-nos. Um país que tem “um genuíno interesse pelos estrangeiros”, como escreveu Mark Twain.

Sherry Minnard

“Sou uma guerreira do ioga”

Sherry Minnard abandonou o caos nova-iorquino para ser professora de ioga no Rajastão, no ashram gerido por Surajnath Siddh. Ambos ensinam como viajar até à calma mental e física.

Aventura

Snowboard em 4K

Travis Rice estreia The Fourth Phase, um novo filme sobre snowboard, onde o protagonista percorre mais de 25 mil quilómetros à procura dos diferentes estados físicos da água.

48 horas em

Chicago, de ganster a hipster

Chicago não pretende ser hipster e é por isso que o é. Os jovens modernos aqui não fazem barulho. Deslocam-se de bicicleta, comem cachorros-quentes e bebem cerveja artesanal, enquanto ouvem música em espaços remodelados.

Escapedelas

A imperturbável Comporta

Foi comparada com Ibiza, St. Tropez, os Hamptons e inclusive com a Marraquexe de Yves St. Laurent nos anos 60. Nada disso é verdade. A Comporta é diferente de todos os sítios de praia, precisamente por não o parecer.

Luxo

Durma “em casa” das celebrities

É o mais perto que podemos estar dos nossos ídolos e intuir a sua forma de vida. Os hotéis das celebrities são um reflexo fiel dos seus gostos e, em alguns casos, dos seus princípios.

Natureza

Florescer em Atacama

Depois da tempestade, chegam as flores. Numa das regiões mais secas do mundo ocorre, a cada cinco anos, um fenómeno climático único.

Top 6A

Lugares perfeitos amanhecer

Merecem uma visita a qualquer hora do dia, mas se tiver força de vontade para se levantar ao amanhecer, descobrirá o seu melhor rosto. Madrugar nunca valeu tanto a pena.

Travelbeats

A primavera desabrocha na Holanda

Aqui, estão à sua espera os hotéis e os restaurantes da moda, as galerias mais inovadoras, novas aberturas e os lugares mais it do planeta.

Equipa

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Programadores

India

Magazine

Destino

India

Desconstruindo mitos

Texto:

Guadalupe Rodríguez/ Patricia Gardeu

Kreativa Visual e Shutterstock

Kreativa Visual

A Índia congrega o bulício de Deli e Bombaim com a calma dos seus centros de meditação. E essa contradição hipnotiza-nos. Um país que tem “um genuíno interesse pelos estrangeiros”, como escreveu Mark Twain.\n

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o esplendor aos trapos, dos palácios à fome, das lâmpadas de Aladim à selva das cem línguas. Era com contradições que o escritor Mark Twain descrevia a Índia, destino com o qual se sonha antes de se conhecer. Um país que faz parte de nós a partir do momento em que nos imaginamos a percorrer os seus grandes monumentos, as suas pequenas vielas, agarrando-nos à literatura que os cenários nos evocam, ancorados nas nossas entranhas. O autor de As aventuras de Tom Sawyer percorreu a Índia em finais do século XIX e descreveu-a como “a mãe da história, a avó da lenda e a bisavó da tradição”.\n

A Índia é aprender a encontrar os nossos preconceitos para em seguida desmontá-los.

No entanto, a Índia não é o país idealizado por muitos. É um aprender a encontrar os nossos preconceitos para em seguida os desmontarmos. Como acontece quando se chega a Deli, Agra ou Jaipur, as três cidades mais visitadas do noroeste do país. Com cerca de 250 quilómetros de distância entre si, constituem o conhecido “Triângulo dourado”: Deli, uma cidade transbordante de vida; Agra, a beleza dos monumentos do antigo centro do Império Mogol; e o rosa radiante da cidade de Jaipur, capital do Rajastão, terra de fortes, palácios e deserto.

Quando se chega a estas cidades – se for de carro é necessário ter uma boa buzina, bons travões e boa sorte – a viagem começa a materializar-se e compreendemos o que significa partilhar espaço com tantas almas. Deli, com quase 19 milhões de habitantes, é uma das cidades mais povoadas do mundo, uma megalópole em permanente movimento, onde duas áreas contrastam intensamente: a Velha Deli, capital do império muçulmano Mogol no século XVII, com a Grande Mesquita (Jama Masjid) e o Forte Vermelho (Lal Qila), ladeado pela estrada principal Chandni Chowk; e a sul, a Nova Deli, zona edificada pelos britânicos, caracterizada por amplos bulevares arborizados. Lojas e cafés surgem por baixo das colunatas brancas de Connaught Place ou o bulevar Rajpath, que vai desde a Porta da Índia até Rashtrapati Bhavan, residência oficial do presidente.\n

Jaipur adquiriu a sua cor característica em 1876, quando o marajá Ram Singh ordenou que fosse pintada assim, como símbolo de hospitalidade para a visita do príncipe Alberto, marido da rainha Vitória de Inglaterra.

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Depois da agitação tenta-se encontrar a paz no emblema da cidade. Agra possui o monumento mais visitado da Índia: o Taj Mahal. O mausoléu, em mármore branco, encomendado por Shah Jahan para acolher os restos mortais da sua esposa, está rodeado de jardins, condutores de tuk tuk e fotógrafos, que prometem imortalizar a visita por cem rupias. Espírito e negócio, a vida em contínua sobrevivência. A vista do parque Mehtab Bagh é inesquecível, na outra margem do rio Yamuna, ou do forte de Agra. A antiga residência dos imperadores mogóis é um conjunto de habitações reais e de pátios que oferece um refúgio tranquilo, em contraste com os labirínticos mercados medievais. Depois de Agra, ao entrarmos pela cidade de Fatehpur Sikri deparamo-nos com os espíritos das concubinas, imperadores e servos que, outrora, cruzaram a gigantesca porta de pedra vermelha.\n

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Fora do triângulo

Por vezes, os desvios são o melhor do caminho. Permitem fugir das rotas turísticas e conhecer templos centenários, como o dedicado a Xiva, na cidade de Bateshwar, perto de Agra. Esta cidade acolhe durante três semanas, em outubro ou novembro, a segunda feira de gado mais importante da Índia, que tem origem religiosa. Embora o nosso interesse por esta reunião de cavalos, cabras, camelos e bois, debaixo de toldos amarelos e cor-de-laranja, não seja comercial, será uma oportunidade para viver um ambiente que pouco mudou em dois mil anos.\n

O caminho continua até à porta do Rajastão, Jaipur. Os mercados que salpicam o centro histórico vão até uma muralha, cuja cor lhe dá o nome de “Cidade cor-de-rosa”. Os habitantes utilizavam essa cor como símbolo de boa sorte, mas o costume foi esmorecendo, até ter sido recuperado no início do século XX. Tem como emblema o Palácio dos Ventos (Hawa Mahal), com a sua delicada fachada de cinco pisos e miradouros de onde as mulheres da família real observavam a rua.\n

No Rajastão reside também a primeira semente de calma. Desde palácios centenários, transformados em hotéis, permitindo que o visitante se sinta como um marajá do Raj britânico, até festivais de literatura, como o Diggi Palace Hotel, ou passeios de camelo. Propostas que combinam o privilégio de se alojar numa tenda, por trás das muralhas de um forte de 350 anos, em Ramathra Fort, com o de ser guiado pelo seu proprietário, Ravi Raj Pal, num safari através do vale de Daang, uma paisagem árida, por onde um dia vaguearam tigres e salteadores. Se Jaipur é cor-de-rosa, Jodhpur é azul, com o seu forte Mehrangarh sobre a colina e o seu palácio real Umaid Bhawan. A terceira joia do Rajastão é Udaipur, com numerosos lagos, onde flutuam os palácios que fizeram com que ganhasse o apelido de “Veneza do Oriente”.

Extasiados pela beleza da Índia, perguntamo-nos o que resta das nossas conceções, dessa imagem pré-concebida. Encontraremos a resposta nos ashram, centros de ensino de ioga e meditação. Conhecido como turismo espiritual, vai muito além de retiros, aprendizagem daquelas disciplinas ou cuidados do corpo e da mente. É preciso assimilar, para lá do caos e do bulício das cidades por onde passamos, que a paz deve nascer em nós próprios, para que seja uma boa companheira de viagem. E que temos de saber desprendermo-nos do que não é necessário, para agarrarmos a felicidade da coerência.

A Kundalini é uma das disciplinas que se aprendem nestes centros. A espiritualidade é trabalhada através das nossas próprias emoções, da nossa criatividade, do nosso propósito de vida. Há um provérbio indiano que diz: “Não há árvore que não tenha sido sacudida pelo vento”. E é o que sucede quando viajamos à Índia, quando tornamos o desejo realidade: ficamos sacudidos, exaustos, quebramos as nossas crenças. “Viajar”, salientava Twain, “é fatal para os preconceitos, a intolerância e para a mente limitada”. A Índia confirma-o, desmontando as nossas opiniões anteriores, mas, pelo menos, ensina-nos que, comparada com isso, a realidade é muito mais excitante.\n

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O banco do desamor

O Taj Mahal é um poema de amor em mármore, construído por dois mil artesãos entre 1631 e 1648. No entanto, foi também um símbolo do desamor. A imprensa publicou em 1980 uma fotografia do príncipe de Gales em frente ao monumento com as seguintes palavras: “Espero regressar um dia com a minha esposa”. Em 1992, o príncipe voltou à Índia, mas apenas Lady Di visitou o Taj Mahal. Posou no mesmo banco onde tinha sido fotografado o seu marido, doze anos antes. “Teria sido melhor se os dois estivéssemos aqui”, disse. Dez meses depois, os príncipes de Gales anunciavam a sua separação. Desde então, o banco é conhecido como “o banco da princesa”.\n

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Jodhpur é a segunda maior cidade do Rajastão.

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Considerado o lugar mais romântico da Índia, podem-se fazer passeios de barco.

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Entrevista

Magazine

Entrevista

“Sou uma guerreira do ioga”

passageiro do mês

Sherry Minnard

Sherry Minnard abandonou o caos nova-iorquino para ser professora de ioga no Rajastão, no ashram gerido por Surajnath Siddh. Ambos ensinam como viajar até à calma mental e física.\n

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Com o nascimento do seu filho, há 25 anos, começou a dar aulas de ioga.

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“As árvores tornar-te-ão inteligente se passares tempo suficiente na floresta”. Esta foi a frase que ouviu da sua mãe em criança. Palavras que ribombaram na mente de Sherry Minnard quando a agitação de Nova Iorque, os seus três filhos e o stress laboral faziam parte do seu dia-a-dia. Tanto que, uma manhã, não se reconheceu na sua própria pele e decidiu começar do zero.

“Não gostava da minha vida, nem do meu trabalho e decidi fazer uma viagem à Índia”, confessa Minnard. Um caminho que, ainda que fosse então desconhecido, se viria a tornar no seu modo de encontrar a felicidade. Chegou a um ashram – espaço onde, segundo a tradição hindu, se ensina ioga e meditação – no Rajastão, berço da antiga civilização indiana, terra de “santos, siddhas (professores) e sadhus (monges) ”.\n

Na Índia existem documentos sobre o ioga há mais de 4000 anos e esta disciplina é tão valorizada que o país dispõe, desde 2014, de um ministério encarregado de salvaguardar as medicinas e práticas tradicionais. Assim, Minnard, que já praticava ioga há 25 anos, necessitou apenas de uns dias para perceber que estava no lugar certo. Em pouco tempo foi convidada para trabalhar como escritora, desenhadora e professora de ioga no ashram Shri Jasnath Asan, uma fortaleza medieval localizada na região de Marwar.

Minnard aceitou, adotando o nome espiritual de Shreejan Sita. Começava assim uma vida nova. “Passaram-se quatro anos, gosto do meu trabalho, adoro a minha filosofia de vida e o lugar onde, aqui na Índia, tão longe da cidade, comecei o meu novo lar”.

Inicialmente, a falta de espaço asfixiava-a. A sobrelotação na Índia – o dobro da população que existe nos Estados Unidos em metade do espaço – e um estilo de vida baseado na partilha de tudo – desde a cama até à comida ou aos armários – chocavam com o espírito individualista ocidental. “Via isso como invasivo, até compreender que fazia parte da minha formação”, recorda.

A angústia existencial durou pouco. “A principal lição que aprendi é que, na realidade, não necessitamos de nada. Posso sobreviver e ser feliz sem nada, por isso quando olho para trás, para a vida que tinha em Nova Iorque, dou-me conta do desperdício”.\n

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A região de Marwar é uma das mais antigas da Índia. “É bela, mas intocável, impossível de colonizar”, afirma Minnard sobre o seu lar adotivo. “O colonialismo não atingiu o norte, perto da fronteira paquistanesa, por isso não há muita influência do ocidente”, explica. “Embora esteja a chegar”, acrescenta. A iogue destaca que, apesar de a influência ocidental ser cada vez maior - “temos muitas escolas de Inglaterra católicas, há a influência do vestuário ocidental, a necessidade de falar inglês…” – ainda se vive um ambiente “tradicional, semelhante ao século XV, na roupa das mulheres, no trabalho… Vão ao mercado todos os dias, vivem em cabanas…”.

“É uma maneira natural de estar em contacto com a terra, o que nos mantém sãos, apreciando uma forma de vida simples, sem ter de possuir muitas coisas materiais”, ressalva Minnard. Outro dos ensinamentos adquiridos é que as pessoas “só precisam de três dias para deixar um mau hábito”, enquanto para adotar novos hábitos sejam necessários “uns 21 dias”. Tempos que se adaptam ao tempo que os viajantes costumam passar na Índia, quando se interessam pelo turismo espiritual, e que consistem em retiros centrados na aprendizagem de ioga, meditação e cuidado do corpo e da mente e que costumam durar entre 14 a 21 dias.

“A Unesco protege o ioga como tradição e património da Índia e promove a vinda de turistas com esta finalidade”, explica Minnard, que recomenda a sua prática não só para quem estiver a sofrer uma crise existencial, como também para aqueles que procuram ser mais felizes, “adquirindo um estilo de vida de ioga”, ainda que não seja na Índia, mas nas suas casas.

Por isso, embora recomende “vir à fonte” para começar – “Com sorte encontras um bom guru que te ajude a integrar na vida moderna” – reconhece que ninguém “precisa de deixar a sua vida por um ashram na Índia para se tornar iogue”. “Podes sê-lo com um pouco de treino, um guru adequado e os ensinamentos corretos”.

“É possível chegar às pessoas, o que está a acontecer neste momento na Índia poderia mudar o mundo”, clarifica a professora, que considera que o futuro está no encontro entre Ocidente – “com o seu sistema, tecnologia e publicidade” – e Oriente. “Temos o ioga, grandes professores e interesse em educar”, acrescenta. “Não inventamos nada, utilizamos práticas antigas. Somos apenas mensageiros, pessoas com habilidades e uma paixão por ajudar os outros”, diz a iogue, que incentiva para a luta a partir da espiritualidade. “Eu sou uma guerreira do ioga”, afirma, e conclui que qualquer pessoa que seja capaz de procurar essa felicidade e de “ajudar o mundo a curar-se” será também “uma guerreira do ioga”.\n

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Aventura

Magazine

Aventura

Snowboard em 4K

Travis Rice estreia The Fourth Phase, um novo filme sobre snowboard, onde o protagonista percorre mais de 25 mil quilómetros à procura dos diferentes estados físicos da água.\n

“Creio que tudo começa com a água”. Este filme também. O The Fourth Phase nasceu da curiosidade de Travis Rice por esta “substância mágica”. Foi o doutor Gerald Pollack que teve a ideia. O hiperativo snowboarder interessou-se pela teoria deste cientista, que afirma que a água existe em mais uma fase, além das já conhecidas fases sólida, líquida e gasosa. Trata-se da “água viva”, como a que está contida nos seres vivos e nas células, mais densa que a água normal e capaz de armazenar energia. Rice ficou fascinado pelo conceito e decidiu intitular o seu filme por The Fourth Phase em homenagem ao H2O nas suas diferentes fases. “É o meio onde nos divertimos e ao qual dedicamos a nossa vida” e agora também protagonista da sua nova aventura.\n

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Foto: Scott Serfas/Red Bull Content Pool

O realizador do filme, Jon ‘JK’ Klaczkiewicz, relata que um dos desafios foi coordenar a filmagem dos planos aéreos com pilotos que não falavam inglês.

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As diferentes fases físicas da água desenharam a rota a seguir pelo Pacífico Norte. Na viagem vemos o experiente Travis Rice a deslizar a sua prancha pelos Alpes japoneses, pela Rússia, pelo Alasca e pelas paisagens mais inacessíveis da sua terra, o Wyoming. Não está sozinho, acompanham-no onze snowboarders profissionais. O seu amigo Mark Landvik “Lando”, o californiano Eric Jackson e lendas como Bryan Iguchi são alguns deles. A produção reúne mais de três anos de trabalho, cinco helicópteros, 8690 quilómetros de barco pelo Pacífico e 2000 horas de filmagem que ficaram reduzidas a 92 minutos de saltos e piruetas acrobáticas, entre a neve e as montanhas.\n

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Snowboarder por surpresa

Travis Rice nasceu em Jackson, Wyoming, onde aprendeu a gostar das montanhas pela mão do pai. A sua lenda começou a ser delineada quando tinha 18 anos e se apresentou sem convite num evento da Snowboarder Magazine. A sua atuação surpreendeu todos os presentes e logo se tornou uma das figuras mais importantes do snowboard.\n

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As diferentes fases físicas da água desenharam a rota a seguir pelo Pacífico Norte.

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O The Fourth Phase estreou-se no Festival de Cinema de San Sebastian, após uma primeira passagem por Los Angeles, e conquistou o público com as suas imagens fantásticas gravadas em 4K, com uma resolução quatro vezes melhor do que em alta definição. Para atingir uma cinematografia tão elaborada, os protagonistas tiveram de suportar condições de filmagem extremas, com temperaturas negativas de 40º C, e adaptar uma equipa que não estava preparada para esse ambiente. “É necessário muita experiência e destreza, misturadas com uma enorme capacidade para resolver problemas”, confessa Rice.

Por sorte, experiência não lhe falta. Rice é uma das personagens mais influentes do snowboard. A sua habilidade na pista e fora desta levaram-no a participar em mais de vinte filmes e documentários. Em 2011, o seu filme A arte do voo tornou-se no filme de desportos radicais com maior êxito da década. Para o realizador Jon ‘JK’ Klaczkiewicz foi uma grande inspiração. “Era uma obra-prima visual”, afirma, consciente da pressão para manter o padrão de qualidade em The Fourth Phase. Os cenários eleitos e as arriscadas acrobacias dos desportistas contribuíram para isso.

O desafio era fazer snowboard só em lugares onde Rice não o tivesse feito. “Foi um grande desafio, especialmente na minha terra, no Wyoming”. Tiveram de aventurar-se no mais profundo do estado montanhoso para encontrar o terreno perfeito. É aí que fica a maior descida do filme, 1025 metros a partir do topo.\n

Foto: Scott Serfas/Red Bull Content Pool

A quarta fase estreou mundialmente no dia 2 de outubro, através de várias plataformas.

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Foto: Scott Serfas/Red Bull Content Pool

O filme foi gravado em 4K de definição Ultra HD e foram utilizadas até dez tipos diferentes de câmaras.

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No Japão aterraram a oeste de Nagano, nos Alpes japoneses, onde tiveram lugar os Jogos Olímpicos de Inverno em 1998, sendo um dos lugares com mais neve da terra. Nevadas épicas e um terreno abrupto não impediram que Rice e o japonês Shin Biyajima dominassem a situação com as suas inovadoras peripécias na prancha.

Entrar na Rússia não foi fácil: passaram sete horas na fronteira, junto aos mais de 78 volumes que tinham registado, mas valeu a pena. Era a única forma de seguir o ciclo da água, que passava das ilhas Curilas (Japão) à península de Kamchatka. O terreno vulcânico desta última, em plena Sibéria, é banhado pelo oceano Pacífico e pelo mar de Okhotsk, onde os terramotos são habituais. Entre os vulcões ainda ativos de uma das paisagens com mais neve da Rússia, Rice e Eric Jackson completam a vertical mais longa, feita numa só linha: 1829 metros.
 
“No Alasca podes ir tão longe quanto quiseres”, afirma Rice. E aqui é onde termina a sua viagem, embora com perigo de avalanches e falésias a cada esquina. Freestyle no limite a 4K.
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Foto: Tim Zimmerman/Red Bull Content Pool

Rice não conhecia pessoalmente Victor De Le Rue, mas há anos que seguia a sua trajetória.

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A arte de voar a três dimensões

A arte do voo, de Travis Rice, estreou em 2011 entre inúmeros elogios. Um ano depois estreou a sua versão 3D. Quem permitiu que disfrutássemos da magia do snowboard como se estivéssemos com Rice no Alasca ou na Patagónia foi o estúdio Venture 3D, também responsável por conversão de Titanic.\n

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48 horas em

Magazine

48 HORAS EM

Chicago, de ganster a hipster

Chicago não pretende ser hipster e é por isso que o é. Os jovens modernos aqui não fazem barulho. Deslocam-se de bicicleta, comem cachorros-quentes e bebem cerveja artesanal, enquanto ouvem música em espaços remodelados.\n

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stá na lista das cidades mais modernas, ao lado de Portland, Austin, Nova Iorque e São Francisco. Mesmo assim, a autoproclamada cidade do vento foge aos estereótipos e não exibe demasiados excessos trendy. Desde o célebre lago Michigan, é possível contemplar o berço dos primeiros arranha-céus dos Estados Unidos da América e o segundo edifício mais alto do país, a Torre Willis, reconstruída após o grande incêndio de 1871.\n

Foto: patrick-tomasso_Unsplash

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Chicago é sobejamente conhecida, sobretudo no cinema, pelo crime organizado durante o período da lei seca, entre 1919 e 1933. Dispõe até de rotas turísticas para visitar os lugares mais emblemáticos por onde passaram Al Capone e Bugs Moran, gansters lendários da cidade, que partilham com os contemporâneos hipsters o amor pelos submundos decadentes (que atualmente estão gentrificados).\n

A autenticidade de Chicago reside na sua falta de pretensões e na grande variedade de subgrupos e culturas que aí convivem.

Para além de grandes eventos, como o festival de música Lollapalooza ou o encontro de tendências gastronómicas Taste of Chicago, o pulsar cultural é marcado pelos inúmeros clubes de jazz e pela tradição de pequenas salas que oferecem obras, exposições e concertos. Dos mais de 200 teatros em Chicago, a maioria são companhias independentes com capacidade até 70 pessoas. Exemplos disso são o Steep Theatre e a imaginativa proposta The House.\n

Foto: neal-kharawala__Unsplash

Os clubes de jazz enchem a noite de Chicago. Em Green Mill, um dos locais mais antigos, pode ler-se: “Al Capone bebeu aqui muitas vezes”.

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Foto: David Hilowitz via VisualHunt.com

Mais de 30 galerias abrem as suas portas uma vez por mês para a Pilsen East Artists Open House, no Distrito das Artes. Nesse dia é possível explorar os estúdios de artistas e as diferentes exposições.

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A autenticidade de Chicago reside na sua falta de pretensões e na grande variedade de subgrupos e culturas que aí convivem. “Aqui os habitantes adotam uma abordagem pessoal muito forte. Um estilo que é discreto, não óbvio, nem exagerado”, afirmam Shane Gabier e Christopher Peters, estudantes do Instituto de Arte de Chicago e fundadores do projeto de moda Creatures of the Wind.

Wicker Park é um dos bairros mais modernos dos Estados Unidos e funciona como um viveiro de ideias, desde os anos 80. John Cusack tinha aqui a sua loja de discos, no filme de culto Alta-fidelidade. Ao longo dos anos, o bairro tem sofrido uma série de liftings e foi convertido no território perfeito para habitantes cool. As suas intersecções (seis esquinas) de Milwaukee, North e Damen acolhem a mítica sala de concertos The Double Door, a loja de vinis repleta de espírito second hand Reckless Records e o icónico Flat Iron Arts Building, ponto de encontro para artistas e músicos de todas as vertentes há décadas.\n

Irredutível American taste

O restaurante Bangers & Lace representa o amor de Chicago por salsichas e boa cerveja, algo que nunca passa de moda. Lojas de donuts artesanais, restaurantes vegans e menus ecológicos, convivem com as gordurosas pizas de Lou Malnatis e o melhor cachorro-quente do país desde 1948, em Superdawg.\n

Foto: ifmuth via VisualHunt.com

Chicago é uma das melhores cidades dos Estados Unidos para circular de bicicleta. As centenas de postos públicos Divvy Bikes oferecem alugueres acessíveis.

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A vanguarda artística encontrou o seu foco no bairro de Pilsen. Conhecido pela mistura de nacionalidades e pela comida mexicana, destacam-se os murais de rua, como o vibrante Increíbles Las Cosas Q’ Se Ven, do artista Jeff Zimmermann, e as numerosas galerias de arte. Em volta destas, taquerías como ‘Cantón Regio’ de família Gutierrez, moradores ilustres do bairro há mais de 50 anos, e outras curiosidades, como o museu e loja Architectural Artifacts, com mais de 7000 m2 de extraordinários objetos antigos.

O novo hype para 2017 é o bairro do West Side, Ukrainian Village. Igrejas ortodoxas, museus e velhos delis ucranianos cruzam-se com lojas de moda, restaurantes e locais cada vez mais populares, como o Rainbo Club.

Com a pose snob e o vento a empurrá-la, Chicago move-se depressa, como diria Mark Twain: “É impossível o visitante ocasional estar a par do que se passa em Chicago, que supera as suas profecias mais rapidamente do que as que profere. Esta cidade é sempre uma novidade, porque nunca é a Chicago que viste da última vez que cá estiveste”.\n

Foto: Busara/shutterstock.com

A vanguardista nuvem metálica Cloud Gate, desenhada pelo artista Anish Kapoor e conhecida como The Bean, congela-se totalmente no inverno.

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Nostalgia vintage

Assemelhar-se a qualquer personagem de Mad Men é uma das aspirações hipster. A oferta deste tipo de negócios em Chicago é interminável. Alguns dos imprescindíveis são a Modern Cooperative para móveis dos anos 50 e 60, o fantástico loft industrial Lee Allison, onde se vendem laços, e o sonho da roupa retro e pin-up, a Knee Deep Vintage.\n

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Escapedelas

magazine

Escapedelas

A imperturbável Comporta

Foi comparada com Ibiza, St. Tropez, os Hamptons e inclusive com a Marraquexe de Yves St. Laurent nos anos 60. Nada disso é verdade. A Comporta é diferente de todos os sítios de praia, precisamente por não o parecer.\n

À

Herdade da Comporta vem-se para passar tempo. Não há muito para fazer e aí reside o seu ponto forte. Christian Louboutin, com casa nesta gigantesca fazenda portuguesa, situada apenas a uma hora de Lisboa, reconhece que sente afeto pelo Alentejo, região que a rodeia, e pela sua costa. “Há algo mágico nesta paisagem, tão selvagem e bela. Onde quer que vás, tens a sensação de voltar à Idade Média”.

Em oposição ao vertical e amontoado Mediterrâneo, o espaçoso Atlântico apresenta-se como uma alternativa cada vez mais glamorosa e atraente. Na costa da Comporta encontraram refúgio, além de Louboutin, a Rainha da Jordânia, os Grimaldi, a atriz Kristin Scott Thomas, Sarkozy e Carla Bruni. Estas visitas vip, muitas com casa própria, transformaram esta aldeia num segredo revelado como o novo paraíso eco-chic.

O nome Comporta significa “porta que retém a água”, o que faz sentido ao chegar, quando descobrimos os canais que invadem os imensos campos de arroz, os maiores de Portugal. Antes disso, é preciso percorrer a rota do Alentejo. Aldeias sacudidas por um sol implacável que dormitam entre vinhas e pó. Entre o final desta rota e o início do Oceano está a península de Troia, 100 quilómetros a sul de Lisboa. É aí que se situa a Herdade da Comporta, com uma superfície de 12 500 hectares entre o estuário do rio Sado e o mar, abrangendo sete aldeias: Pego, Carvalhal, Brejos, Torre, Possanco, Carrasqueira e Comporta.\n

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Antes da Praia da Comporta há uma duna natural protegida e os primeiros resorts ecológicos estão a uma distância mínima de dez minutos a pé.

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Foto: Casasnaareia by the architecture photographer Nelson Garrido

Sem vedações, nem asfalto, nem cimento. Em Casas na Areia os caminhos de areia ligam uma cabana à outra entre os pinhais.

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A arquitetura dos arrozais

As restrições de planificação urbanística revelaram-se uma vantagem para manter a paisagem intacta. Propriedades e alojamentos, como 3 Bicas e Sublime Comporta, conservam o estilo único das casas originais. Espaços abertos com decoração boémia e casual, poucos móveis e paredes de vidro para usufruir da paisagem.\n

A quinta está muito bem conservada porque a maior parte se encontra dentro da reserva natural do estuário do rio Sado. Campos cobertos de pinheiros, flores silvestres e arrozais, que se mantêm verdes o ano inteiro. Os poucos alojamentos consistem em cabanas sem pretensões, de pouca altura, com tetos de palha e vigas. Projetos como as Casas na Areia, onde em vez de chão há areia ou Cocoon Lodges, cubos de madeira escondidos entre os pinhais, integram-se perfeitamente na natureza e denotam que o luxo aqui não é evidente. O artista Jason Martin, vizinho de Louboutin, vive na Comporta porque considera que “é último Oeste Selvagem da Europa”.\n

Foto: ARoxoPT shutterstock.com

Os barcos amarrados aos paus do porto da Carrasqueira serviram de cenário para uma das campanhas de Louboutin.

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Os dias passam sem pressa e são organizados em volta da praia. Os mais corajosos arriscam-se a fazer surf, nas águas frias do Atlântico, apesar da bandeira azul quase perpétua, o que costuma exigir fato-de-mergulho. Outros passeiam de bicicleta entre os arrozais, montam a cavalo ou dedicam-se a avistar golfinhos no estuário do Sado. No verão, os seus 3500 habitantes duplicam e as anciãs da aldeia sentam-se em cadeiras de plástico, enquanto observam os turistas a estacionar os seus BMW nas valetas. Aos domingos, na mesma estrada que conduz às praias, amontoam-se as bancas improvisadas de melancias, alcachofras e tomates. Durante a semana regressa a quietude. Doze quilómetros de praias para ser feliz. As mais belas são Comporta, Pego e Carvalhal. Apenas três bares de praia se encontram neste vasto território de areia cor de baunilha. Um dos mais animados é Sal, na Praia do Pego. Aí passam as tardes e pairam as palavras do escritor Fernando Pessoa: “Nunca se deve fazer hoje o que se pode deixar de fazer também amanhã.”
 
Uma visita ao porto palafítico da Carrasqueira, uma assombrosa imagem de paus e barcos colocados ao ritmo das marés, recorda que antes de chegarem todos os outros, já estavam aqui os pescadores, agricultores e fabricantes de sal. As cegonhas e os flamingos que circulam ao longo do estuário dizem adeus aos visitantes. E quando todos partem, a Comporta permanece serena entre os arrozais, os telhados de palha e a sombra do Atlântico, que enche de azul-cobalto as margens das suas terras. E assim continuará.\n

Este aviso é dado em qualquer um dos cinco restaurantes da propriedade Herdade da Comporta: Museu do Arroz, Comporta Café, Ilha do Arroz, dos Pescadores e SAL. Salada de tomate e cebola doce, ameijoas com salsa e muitas caçarolas fumegantes de arroz com marisco e aroma de coentros, claro. A gastronomia portuguesa nascida no mar.\n

“Cuidado com os coentros”

Comporta permanece serena entre os arrozais, os telhados de palha e a sombra do Atlântico

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Luxo

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Durma “em casa” das celebrities

É o mais perto que podemos estar dos nossos ídolos e intuir a sua forma de vida. Os hotéis das celebrities são um reflexo fiel dos seus gostos e, em alguns casos, dos seus princípios.\n

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O primeiro que teve a ideia

Depois de muito viajar e nunca encontrar o que procurava num hotel, Robert Redford decidiu abrir o seu Sundance Resort, em 1969. Foi o primeiro ator que teve a ideia, abrindo caminho aos demais. Fê-lo em Sundance, com a intenção de oferecer um lugar acolhedor, onde os participantes do festival de cinema independente pudessem esperar até saber se tinham sido premiados.\n

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isar as pegadas de Cristiano Ronaldo, impressas na alcatifa, ao entrar no quarto, ao ritmo da ovação das bancadas, faz parte da experiência oferecida pelos hotéis Pestana CR7, onde o protagonista absoluto é a estrela portuguesa. São já dois os templos dedicados ao deus do futebol, no Funchal e em Lisboa, e em 2017 a cadeia desembarcará também em Madrid e Nova Iorque.

No entanto, lamentamos dizer ao CR7 que a ideia não é do todo original. O avançado do Real Madrid não é, nem de longe nem de perto, o primeiro famoso que reflete a sua personalidade num hotel. Quando Marlon Brando desembarcou na ilha taitiana de Tetiaroa apaixonou-se pelo lugar e por uma das suas habitantes. Foi nas filmagens de Revolta na Bounty, tendo acabado por comprar a ilha, casando-se com uma haitiana e começando a implementar um complexo hoteleiro ecológico de luxo. Queria preservar a ilha do apetite urbanístico e conservá-la tal como era. Embora o ator tenha falecido antes de terminar a construção, foram respeitados os seus desejos. O hotel The Brando é alimentado por energias naturais e os quartos são separados entre si, para que o impacto humano seja mínimo.\n

eonardo DiCaprio adota a sua defesa acérrima do meio ambiente também no seu hotel, o Blackadore Caye, no Belize. Este exclusivo eco-resort abrirá as portas em 2018, dando o mesmo protagonismo ao luxo e ao respeito pela natureza. Algo como O grande Gatsby, mas na praia. “Quero fazer alguma coisa para mudar o mundo, não o faria se não estivesse convencido que é um feito histórico para o movimento pró meio ambiente”, explicava o ator ao The New York Times. No mesmo país da América Central e também com um espírito ecológico, a família Coppola encontrou o lugar perfeito para estabelecer um dos seus alojamentos de luxo: o Blancaneaux Lodge. Quando Francis Ford Coppola o descobriu, era um edifício abandonado, transformando-o no refúgio da família. Mais de uma década depois, em 1993, foi aberto ao público.

No coração da Grande Maçã, no bairro de Tribeca, fica o hotel de Robert de Niro. No exclusivo The Greenwich Hotel os viajantes podem saborear comida gourmet a qualquer hora e usufruir da tecnologia mais inovadora. E, se forem com os animais de estimação, podem ter a certeza que estes terão os mesmos mimos, ou até mais. Nos arredores de Nova Iorque, os mitómanos que procurem tranquilidade podem optar pelo Bedford Post Inn, propriedade de Richard Gere. Neste hotelzinho, voltado para o ioga e para a gastronomia, qualquer pessoa poderá sentir-se como Julia Roberts no luxuoso jacuzzi de Pretty Woman.

Nem só os atores aproveitam ao abrir as portas dos seus refúgios. Em Dublim, o hotel The Clarence é mais conhecido como “o hotel dos U2”, e neste os membros da banda já passaram mais do que um beautiful day. Em 1996, Bono e The Edge remodelaram o velho hotel, prestando especial atenção à suite Penthouse. O cantor gostou tanto do resultado que é nesta que se aloja quando fica na sua cidade natal. O chefe do restaurante possui uma estrela Michelin. O Octogon Bar é uma referência social da cidade e o terraço no telhado foi palco de algumas gravações do grupo.

Afastados do ruído mundano estão Olivia Newton-John, criadora do australiano Gaia Retreat & Spa (Brooklet) e Clint Eastwood, dono do Mission Ranch Hotel, situado perto de San Francisco, em Carmel (localidade da qual foi alcaide), e que parece um cenário de As pontes de Madison County. Os fans das estrelas mais empreendedoras estão com sorte, porque quase que se podem infiltrar nas suas casas.\n

A suite Penthouse (The Clarence) tem 2000 m2 distribuídos por dois pisos.

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Além do parque de diversões, Dolly Parton possui o hotel de luxo DreamMore Resort.

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O parque de diversões de Dolly Parton

A rainha do country sonha à grande e criou um hotel com parque de diversões. Em Dollywood, Tennessee, é possível percorrer a floresta na montanha russa The Thunderhead e, ao sair, disfrutar de música ao vivo. Com um pouco de sorte, com a própria Parton.\n

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Natureza

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Florescer em Atacama

Depois da tempestade, chegam as flores. Numa das regiões mais secas do mundo ocorre, a cada cinco anos, um fenómeno climático único.\n

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scutai o som quebradiço do sal vivo, só nas salinas; o sol quebra os seus vidros na extensão vazia e agoniza a terra como um seco e afogado ruído do sal que geme”. Os versos de Pablo Neruda sobre o deserto de Atacama definem um dos lugares mais áridos do planeta.

Ocasionalmente, este salar vazio, retratado pelo poeta chileno, transforma-se num tapete de flores, graças a um fenómeno climático que ocorre depois de uma tempestade perfeita. Perfeita porque devem coincidir vários fatores climáticos que não acontecem todos os anos. As temperaturas devem ser especialmente baixas (sem chegar à formação de geadas) e as chuvas particularmente abundantes.\n

Isto ocorre quando o fenómeno do El Niño altera os padrões habituais das precipitações. É então que as sementes e os bolbos que permanecem enterrados dispõem da humidade suficiente para florescer. Latentes, são capazes de aguentar anos e anos até chegar o seu momento. Uns sobreviventes adaptados a um ambiente adverso.\n

Para além das flores

Se o ano não tiver sido de chuva, o Atacama continua a oferecer muitos outros percursos. Junto à costa podemos visitar as localidades de Totoral, Travesía, Carrizal Bajo e arredores de Puerto de Huasco. Uma boa alternativa para os anos em que as flores são mais tímidas.\n

Foto: Guillermo Andre via VisualHunt.com / CC BY

Atacama é uma área de atividade mineira muito intensa.

Dos mais de 75 mil m2 da região de Atacama, o fenómeno do deserto florido ocorre na zona costeira, a cerca de 800 km de Santiago, a capital chilena. O que torna este tapete natural verdadeiramente especial é o facto de apenas florescer a cada cinco ou seis anos. Uma das primeiras referências de floração no Atacama data do ano de 1840, quando o naturalista Claudio Gay viajou até norte para contemplar este espetáculo, repetindo assim a viagem que realizou em 1831, mas com menos sucesso.

Já no século XXI, a tendência deste fenómeno tem diminuído para períodos de letargia de dois ou três anos, mas a floração de 2015 foi uma das mais impressionantes. Sobretudo nas zonas vizinhas à autoestrada 5, perto de Llanos de Castilla e Pajaritos. Entre os meses de setembro e novembro a areia deu lugar a flores cor-de-rosa, violetas e amarelas. No total, mais de 200 espécies vegetais: Añañucas vermelhas (Rhodophiala rhodolirion), Bons-dias (Calystegia sepium), Huillis (Leucocoryne), Garras de leão (Leontochir ovallei), Malvillas (Cristaria calderana)... E todas elas conseguem atrair uma enorme quantidade de fauna que, noutras alturas, não tem possibilidade de prosperar. Répteis, aves e insetos partilham o habitat com as ocasionais flores do deserto.\n

Nos meses mais quentes a temperatura pode atingir 45º em Atacama.

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Sementes a salvo

É recomendável utilizar protetor solar, optar pelos caminhos assinalados, não tocar nas plantas, não deitar lixo e não percorrer as pradarias de automóvel. Procura-se causar o menor impacto humano possível nesta zona que, sob a terra, esconde um imenso tesouro: as suas sementes.\n

Além da zona costeira - ocasionalmente florida - de Atacama, este deserto chileno também oferece outro colorido durante o resto do ano. Sem pausas nem letargias. O contraste entre as diferentes tonalidades dos minerais da região tem dado ao Atacama o nome merecido de “deserto das cores”. O verde do óxido de cobre, o branco do carbonato de cálcio e o vermelho da argila. Uma paleta que se completa com o fenómeno do deserto florido, ainda que seja só de cinco em cinco anos.\n

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©Turismo Chile

Ocasionalmente existem duas florações por ano. Além das de setembro-novembro há registos de outra entre abril e maio.

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Top 6A

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Lugares perfeitos amanhecer

Merecem uma visita a qualquer hora do dia, mas se tiver força de vontade para se levantar ao amanhecer, descobrirá o seu melhor rosto. Madrugar nunca valeu tanto a pena.

Stonehenge (Inglaterra)

O solstício de verão é o momento do ano em que este recanto do sul de Inglaterra recebe o maior número de visitas. Mas qualquer amanhecer se torna mágico por trás deste monólito com 5500 anos de história.

Pico de Adão (Sri Lanka)

Diz-se que foi o primeiro lugar que Adão pisou na Terra. Lugar sagrado, é o destino de peregrinos que querem atingir o seu cume. O melhor é subir de noite para ver o amanhecer do pico.

Bagan (Myanmar)

Mais de 4000 templos numa extensão de 42 km2. Bagan é um espetáculo por si só, mas a luz da aurora ganha um cariz especial. E mais ainda se for de um balão.

Arches National Park (Utah, Estados Unidos da América)

O da fotografia é o arco mais famoso do Arches National Park. O sol infiltra-se por ele em cada amanhecer. Terá de prestar atenção para tirar a fotografia, pois o instante decisivo dura apenas uns minutos.

Uluru-Kata Tjuta National Park (Austrália)

Uma das maiores atrações da Austrália encontra-se em pleno deserto, no centro do país. É o monte Uluru, uma formação de pedra de arenito que vai mudando de tonalidade segundo a incidência do sol. Ao amanhecer reluz com um vermelho intenso.

Haleakalā National Park (Havai, Estados Unidos da América)

Três quartos da ilha havaiana de Maui são ocupados pelo vulcão Haleakalā, cujo nome significa “casa do sol”. A 3000 metros de altura, as excursões partem de madrugada para aproveitarem um amanhecer entre as nuvens.

Raios entre as pedras

Amanhecer sagrado

Skyline de templos

O instante decisivo

O monte que muda de cor

A casa do sol

Travelbeats

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Travelbeats

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A primavera desabrocha na Holanda

A efemeridade é a protagonista quando se trata das flores de Keukenhof. Só entre 23 de março e 21 de maio é possível visitar este parque situado em Lisse (a 35 quilómetros de Amsterdão). Conhecido como “o jardim da Europa”, exibe mais de 7 milhões de bolbos e umas 800 variedades de tulipas. Mas nem só de tulipas vive a Holanda. Existe ainda espaço para o aroma de outras flores, como os jacintos, narcisos, orquídeas, rosas, cravos ou lírios. Pelo comprimento e largura dos seus 32 hectares não faltam também moinhos antigos, lagos e fontes que completam esta bucólica e colorida paisagem.\n

Foto: Baccarat Hotel & Residences New York

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O hotel de vidro

A emblemática casa francesa Baccarat fabrica, há mais de 250 anos, cristais de qualidade requintada. Um nome que é sinónimo de luxo e que Gilles & Boissier, os responsáveis pela decoração deste hotel, localizado muito perto da Quinta Avenida nova-iorquina, quiseram transmitir. O cristal é, como não podia deixar de ser, o grande protagonista do Baccarat Hotel.\n

Foto: © HUISTEN BOSCH

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Bem-vindos ao futuro

Três robôs vão recebê-lo na receção para fazer o check-in. Não se preocupe se não lhe derem a chave para entrar no quarto: as portas abrem-se por reconhecimento facial. O Henn-na Hotel, em Nagasaki (Japão) é o hotel do futuro. Todos os empregados são robôs e cada detalhe está pensado para ser smart e ecofriendly.\n

Foto: Camp& Furnace

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Verão perpétuo

É muito mais do que um restaurante. É um parque, uma esplanada, um festival de música, um sports bar. E o melhor: não tem de se preocupar com a chuva, porque está coberto. Camp&Furnace, em Liverpool, é uma antiga warehouse reconvertida em lugar da moda. E não é para menos: tem todas as coisas boas do verão, durante todo o ano!\n

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O hotel boutique dos mares

Quando a tendência é construir cruzeiros cada vez maiores e esplendorosos, a Windstar Cruises lembra-nos que o tamanho não é tudo. A sua frota de iates aposta num tamanho “reduzido” para criar uma atmosfera mais íntima. Quase como se estivesse no seu próprio barco. Com todas as comodidades e a vantagem de só ter de as partilhar com 148 a 310 hóspedes, dependendo do modelo. Além disso, o tamanho é perfeito para atracar em pequenos portos, onde os megacruzeiros não chegam.\n

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