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Capa

Numero 8

Novembro 2016

Santiago do Chile

Cidades de autor

Santiago do Chile e Valparaíso

Viagem ao inferno

Aventura

O Porto adianta o relógio

Escapedelas

Tome um banho (de floresta)

Tendências

Resumo

Magazine

Resumo

Resumo

Numero 8

Santiago do chile e valparaíso

Cidades de autor

A capital do país mais longo e estreito do planeta renasceu várias vezes. Cosmopolita e acolhedora convida-nos a percorrer a sua memória e o seu futuro.

Federico Sánchez

“O homem não existe nu”

No seu programa de televisão City Tour, ou enquanto reitor do Campus Creativo, Federico Sánchez ensina a pensar sobre onde e como habitamos.

Aventura

Viagem ao inferno

A depressão de Danakil, no Corno de África, é um dos pontos mais quentes do planeta. O local tem apenas 60 mil habitantes, mas são muito menos os que se atrevem a visitá-lo.

Escapedelas

O Porto adianta o relógio

Nasceu o Porto cool. A cidade com a saudade mais vetusta do mundo é também aquela com o coração indie e artístico mais palpitante: festivais, arte e petiscos.

Praias

Bodrum, o Saint-Tropez turco

O “Paraíso de azuis eternos”, segundo Homero. Dez séculos depois, a cidade portuária turca atrai, por outros motivos, curiosos bon vivants e jet-setters que aumentam o seu censo todos os verões.

Tendências

Tome um banho (de floresta)

Para fazer terapia não é preciso passar pelo divã de um consultório. No Japão, o melhor método anti-stress é passear entre as árvores com os cinco sentidos bem despertos.

Cultura

Paredes que quiseram ser banda desenhada

Los pitufos, Lucky Luke, Astérix, Tintín… Hay una manera diferente de leer cómics, basta con pasearse por Bruselas.

Top 6a

Ver a vida em cor-de-rosa

Já cantava a francesa Edith Piaf que não há nada como ver “a vie en rose”. Alguns lugares levam a frase à letra.

Travelbeats

Aqui, estão à sua espera os hotéis e os restaurantes da moda, as galerias mais inovadoras, novas aberturas e os lugares mais it do planeta.

Bazar

Vai viajar? Antes de fechar a mala, assegure-se de que não se esqueceu das nossas sugestões essenciais.

Equipa

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Programadora

Carlos Luján

Beatriz Iznaola

Account Executive

Laura García

Account Executive

Reportagem - Santiago do Chile

Magazine

Destino

Cidades de autor

Santiago do Chile e Valparaíso

Texto

Martín García Almeida

Kreativa Visual

Kreativa Visual

A capital do país mais longo e estreito do planeta renasceu várias vezes. Cosmopolita e acolhedora convida-nos a percorrer a sua memória e o seu futuro.\n

S

antiago venceu a sua própria natureza. Os arranha-céus desafiam uma terra sísmica que a arquitetura e a engenharia quiseram domesticar. Os 62 andares do edifício mais alto da América Latina, a Torre 2, de Costanera Center, que chega aos 300 metros de altura, erguem-se como estandarte dessa luta. Está localizada no bairro financeiro, que ironicamente apelidaram de “Sanhattan” (acrónimo de Santiago e Manhattan), pela quantidade e pela altura dos novos edifícios.\n

Parece que a cidade quis ser muitas outras antes de ser aquilo que é hoje.

A Cordilheira dos Andes perfila-se na distância como uma grande muralha natural que separa o Chile da Argentina. As dimensões dos edifícios são relativizadas pelas da natureza que nos rodeia. Apesar da sua extensão, a cidade torna-se mais humana e convida-nos a perdermo-nos para o interior, para os bairros que formam o tecido urbano mais genuíno.\n

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Ao percorrermos os bairros de Santiago parece-nos que esta cidade quis ser muitas outras antes de se tornar aquela que é hoje: uma urbe imponente, onde habita um terço da população chilena. Edifícios neoclássicos, do princípio do século XIX, que parecem evocar tipologias próximas dos centros históricos de cidades europeias, convivem com estilos mais ecléticos. As construções modernas convocam outras linguagens arquitetónicas e a pós-modernidade, ou a economia de mercado, impõe-se em muitas das novas edificações e bairros. A par de todas estas tendências observáveis nas fachadas, nas malhas urbanas ou nos espaços públicos, Santiago oferece exemplos singulares do que poderíamos denominar como uma arquitetura de autor. Mathias Klotz, Smiljan Radic, Alejandro Aravena, vencedor do prémio Pritzker em 2016, Sebastián Irarrázaval ou Felipe Assadi, são, entre outros, alguns dos representantes mais destacados de uma geração de arquitetos que posicionou a arquitetura contemporânea chilena entre as melhores do mundo.\n

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Foto: Pontificia Universidad Católica de Chile via Visual hunt / CC BY-NC-SA

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Uma arquitetura de Nobel

Alejandro Aravena (Santiago do Chile, 22 de junho de 1967) recebeu o Prémio Pritzker 2016, considerado o Nobel da Arquitetura. O arquiteto dirige o coletivo Elemental, sediado em Santiago, e foi o diretor artístico da XV Bienal de Arquitetura de Veneza em 2016. A filosofia do seu estúdio é propor respostas reais para problemas reais. Por isso presta uma especial atenção a projetos de impacto social e interesse público, como a habitação social. Embora se trate de um reconhecimento individual, o prémio manifesta o potencial da arquitetura chilena no mundo.\n

A renovação constante de Santiago pode ser vista no centro fundacional, reconstruído por completo no princípio do século XX, e que conta com uma característica muito especial: uma rede de passagens comerciais interiores que permitem cruzá-lo sem caminhar pelas ruas. No centro é imperioros visitar a Praça de Armas, a Casa de Governo e um conjunto belíssimo de praças, composto pela Constituição e pela praça da Cidadania, sob as quais se encontra o Centro Cultural La Moneda, uma fantástica obra arquitetónica que acolhe eventos culturais e artísticos.\n

Outro lugar imprescindível da Santiago mais contemporânea é o Bairro Museu, um conjunto que conta, num troço muito curto de quatro ou cinco quarteirões, a história do Chile dos últimos cem anos. Nesse conjunto do Bairro Museu fica o Museu Nacional de Belas-Artes. O arquiteto francês Émile Jéquier inspirou-se no Petit Palace de Paris. Tudo isto no contexto do Parque Florestal, criado para comemorar o primeiro centenário da República. Ao chegar à Alameda, a avenida mais importante da cidade, com quase 8 km de extensão, e seguindo o leito de um braço seco do rio Mapocho, encontramos o Centro Cultural Gabriela Mistral, o GAM. Foi construído na década de 70, num tempo recorde, graças a um sistema colaborativo de voluntários. Foi sede da Conferência Mundial do Comércio e converteu-se num dos projetos emblemáticos do governo de Salvador Allende, que o destinou a Centro Cultural Metropolitano em honra da poetisa e prémio Nobel Gabriela Mistral. Durante a ditadura, no entanto, foi sede de vários ministérios, entre os quais o ministério da Defesa. Um incêndio em 2006 ofereceu a oportunidade de reconstrui-lo para que recuperasse a sua função original. Hoje, o GAM simboliza o renascimento de uma vida cultural e artística chilena, que se projeta para o mundo assumindo a sua história e transformando-a.
 
O Cerro San Cristóbal é o parque metropolitano de Santiago do Chile. Não é apenas um dos maiores parques do mundo. É igualmente um parque-varanda. A sua localização em altitude permite contemplar toda a cidade, incluindo outra colina imprescindível entre as que circundam Santiago, o Cerro Santa Lucía, ao abrigo da qual o conquistador Pedro de Valdivia montou o seu acampamento.
 
Nós "acampámos" no Mercado Central de Santiago, o quinto mais importante do mundo. Desde a sua construção, em 1972, foi-se convertendo numa das atrações turísticas da cidade. Nele podemos provar pratos e produtos tipicamente chilenos, como o picoroco, um crustáceo que apenas existe na costa do Chile e que, conforme insiste Pancho Rojas, vendedor numa das bancas de marisco: “É muito mais afrodisíaco que o amor”.\n

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Capital chilena do graffiti

Valparaíso é o paraíso do graffiti, um museu ao ar livre com vista para o mar. Em algumas das suas colinas, como Placeres, Alegre, Baron, Cordillera ou Concepción, são organizadas rotas guiadas para conhecer os diferentes autores e estilos desta arte urbana: das tags aos murais. As tradicionais fachadas coloridas de Valparaíso converteram-se numa tela gigante para os aerossóis de pintura. E qualquer elemento urbano, não apenas os edifícios, pode ser convertido em graffiti. Aquilo que para uns é uma sobredose cromática, para outros é um anúncio para viver a singular experiência de Valpo.\n

Valparaíso. Entre colinas e barcos

A hora e meia de Santiago chegamos a Valparaíso, cidade Património da Humanidade desde 2003. Valparaíso é uma cidade portuária em permanente reconstrução. Formada por 45 colinas, cada uma com o seu nome e com uma característica especial: a colina Alegre, que tem as casas com maior variedade de cores; a colina Placeres, a mais visitada pelos marinheiros depois das longas travessias; a colina Concepción, com o maior número de graffitis…
Valparaíso tem a estrutura de um teatro romano onde o palco é o mar. A arquitetura vertical e eclética foi-se formando a partir da disposição do terreno e dos materiais que chegavam dos barcos. As casas de madeira do início do século passado, por exemplo, foram construídas com pinho do Oregão e carvalho americano, porque era o lastro dos barcos antes de carregarem os minerais chilenos. As chapas de metal que revestem a fisionomia de muitos edifícios também têm a sua origem neste mesmo lastro. Até a variedade de cores das fachadas que marca a identidade própria de Valparaíso, de Valpo, conforme a denominam os locais, é explicada pelos excedentes de tinta para os barcos.
Os elevadores e os funiculares para subir às colinas não são apenas uma atração turística. Eles mantêm a sua função original. Enquanto subimos por eles, percebemos a poesia que ainda envolve a cidade. Aqui também Pablo Neruda escreveu alguns dos seus versos mais importantes. Na sua casa La Sebastiana, atualmente aberta a visitas, escrito a tinta verde - a cor preferida do poeta nos seus rascunhos - podemos ler: “Estamos tão a sul que caímos do mapa…”\n

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Entrevista - Federico Sánchez

Magazine

Entrevista

“O homem não existe nu”

Passageiro do mês

Federico Sánchez

No seu programa de televisão City Tour, ou enquanto reitor do Campus Creativo, Federico Sánchez ensina a pensar sobre onde e como habitamos.\n

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Federico Sánchez não estudou arquitetura para ser arquiteto. O que realmente lhe interessava era a própria arquitetura. O pensamento que acompanha a forma, que a reveste e habita. “Descobri que a arquitetura era muito mais valiosa e mais importante que fazer uma casa ou um edifício ou, no melhor dos casos, uma ponte, mesmo quando as pontes são mágicas; essa maravilha, como dizia Heidegger, de construir chão onde ele não existe. Eu gosto de pensar. Gosto dessa atividade que quase chega ao não-ser.”\n

Começou a estudar design pela sua paixão pelos automóveis. “Os automóveis condensam a história da arte do século XX", afirma. O automóvel é a expressão máxima do processo de democratização da arte.” Chegou à arquitetura aconselhado pelos seus professores, mas defende que a formação é a procura de um caminho próprio e não necessariamente linear: “Enquanto estudava arquitetura continuava interessado no design, na arte; assistia a todas as aulas de gravura, de desenho. Também me interessava pela filosofia, pela literatura. Queria aprender, genuinamente aprender. Estava interessado em perder o tempo sistematicamente, comprometidamente, e desse perder do tempo, abrir um caminho para mim próprio.”
 
Como reitor do Campus Creativo, uma experiência académica da Universidade Andrés Bello, focada nos cursos de Arquitetura, Arte, Design, Jornalismo e Publicidade, parece ter encontrado um lugar excecional onde conviver com algumas das suas paixões e unir as disciplinas criativas num espaço de experimentação, criação e inovação.
 
Federico Sánchez chegou ao Chile aos 14 anos, vindo da Argentina. “Há 40 anos eram países muito diferentes. Na Argentina a diferença era um valor; e no Chile, nesses anos, a diferença era severamente castigada. Tive de lutar para acabar sendo quem sou.” A sua aparência atual, tão cuidada, tão elegante e inteligentemente concebida, parece o resultado de uma procura por distintas obsessões, uma imagem fabricada, que transmite a verdade de uma reflexão: “A superfície é portadora da essência das coisas. Não creio que a essência seja algo transparente que está no interior e que apenas se revele em momentos de iluminação. A superfície é portadora da essência e nesse sentido é a construtora da narrativa, de quem eu quero ser. Portanto, a roupa, o vestuário é um elemento fundamental a nível existencial. De facto, o homem não existe nu. O homem existe vestido.”\n

É difícil avançar pelas ruas de Santiago do Chile acompanhando Federico Sánchez. A cada passo alguém o cumprimenta, quer tirar uma fotografia com ele ou lhe faz perguntas sobre o edifício que nos tenta mostrar. O nosso passenger6a apresenta há vários anos um programa de televisão, City Tour, que expõe os valores arquitetónicos e urbanísticos de Santiago. Num formato despreocupado e com uma clara vocação pedagógica, mostra aos chilenos a importância de pensar onde e como habitamos.
 
E adoram-no. É o nosso guia pelas ruas do Bairro Museu, um dos locais que considera de visita imprescindível em Santiago. “Aqui surgiu uma série de hotéis com propostas muito interessantes, muito bons restaurantes, bares divertidos e uma vida noturna extraordinária, excelentes galerias de arte, galerias de fotografia, de design gráfico, existe uma vida urbana e uma efervescência cultural deliciosas.”\n

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O Federico ama a sua cidade e defende o valor da arquitetura chilena no mundo. “Temos uma arquitetura de autor no Chile que é das melhores arquiteturas do mundo: Mathias Klotz, Smiljan Radic… e, agora, Alejandro Aravena, com o Pritzker. Há variadíssimos arquitetos chilenos de uma geração extraordinária que posicionaram a arquitetura chilena entre as três melhores do mundo. É uma arquitetura que foi capaz de reinterpretar uma série de valores e ideais da modernidade. Para mim, o interessante do nosso país é que, tal como os ingleses criaram o conceito de high-tech, nós, no Chile, participámos no low-tech e aparentemente a nossa arquitetura é de uma sofisticação maravilhosa baseada no low-tech. E isso é fantástico.”\n

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Aventura

Magazine

Aventura

Viagem ao inferno

A depressão de Danakil, no Corno de África, é um dos pontos mais quentes do planeta. O local tem apenas 60 mil habitantes, mas são muito menos os que se atrevem a visitá-lo.\n

O

termómetro marca 51ºC às quatro da tarde. O deserto de Dabakil é conhecido como o “inferno na Terra”. Atravessá-lo é seguir os passos de Rimbaud que, quando se cansou de escrever poemas, tentou a sorte em África como traficante de armas.\n

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Debaixo do sol abrasador as temperaturas alcançam os 63ºC e no verão nunca descem dos 40ºC. Uma verdadeira prova de resistência para um faranji, nome que os etíopes dão aos estrangeiros. Dallol é a cratera vulcânica situada na depressão de Danakil e tem o recorde da mais alta temperatura anual alguma vez registada.\n

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Para visitar o deserto do Danakil

É necessário uma autorização das autoridades locais (que se pode pedir no momento) e contratar uma pequena escolta militar (mínimo de dois soldados). É imprescindível alugar um todo o terreno com os serviços de um motorista ou de um guia que conheça bem o lugar.\n

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Dallol é a cratera vulcânica situada na depressão de Danakil e tem o recorde da mais alta temperatura anual alguma vez registada.

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Aventurar-se neste lugar inóspito exige medidas de segurança. “Ficar sem veículo de apoio, sem comunicação via satélite ou sem água pode ser mortal”, avisa um dos guias. São necessários 500 litros de água por cada oito pessoas. Explorar Danakil em grupo não é para qualquer um, mas viajar sozinho nem sequer é possibilidade que se deva colocar. Na viagem é ainda necessário ser acompanhado por uma escolta militar formada por três soldados. A contratação dos militares é imprescindível para evitar incidentes com a população local.

O deserto de Danakil localiza-se na depressão com o mesmo nome. Ocupa, no Corno de África, parte da Etiópia, Eritreia e Djibouti. O surrealismo da paisagem compensa a dureza do clima, com as suas cores vivas e contornos impossíveis. A paisagem passa drasticamente da brancura impoluta dos seus lagos de sal, aos mananciais de cores do Dallol, a zona vulcânica. Estamos no ponto mais baixo de África, a 125 metros abaixo do nível do mar. Não será difícil descuidar-se e meter o pé num géiser fumegante. As lagoas queimam e são alaranjadas, verdes, vermelhas ou amarelo borbulhante, devido ao sulfureto e ao enxofre que impregnam a atmosfera de um odor intenso. Neste ambiente os rugidos vindos do interior da terra são os únicos a quebrar o silêncio.\n

A temperatura média anual do Danakil é de 34ºC. É qualificado pelo governo da Etiópia como ‘zona sensível’.

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Há mais de 30 vulcões ativos no Danakil. Erta Ale é o mais ativo da Etiópia. A sua alcunha, “porta do inferno”, intimida, apesar de ser um dos vulcões mais pequenos do mundo, com apenas 613 metros de altura. É preciso esperar pela noite para se subir à caldeira do Erta Ale e observar de perto a lava que se acumula na sua cratera até formar um lago. Em todo o mundo só existem quatro vulcões deste género e este é o mais antigo.

Danakil é a terra dos afar, tribo seminómada de pastores que vive neste infra mundo. Ali Noor tinha 14 anos quando começou a extrair sal como forma de subsistência. Fá-lo unicamente com a ajuda de um bastão e de uma faca de mato: “Por vezes esqueces o calor”, sussurra, sem deixar de picar a terra.\n

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A última erupção do vulcão Erta Ale foi em 2009.

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Dormir sob as estrelas

Para viajantes experientes e épocas menos quentes (novembro a fevereiro) existem percursos de vários dias que permitem visitar o Erta Ale. Dorme-se ao relento, num acampamento à entrada do deserto do sal. É preciso alugar dois veículos: um para se deslocar e outro para o pessoal auxiliar e para o equipamento.\n

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Escapedelas

Magazine

Escapedelas

O Porto adianta o relógio

Nasceu o Porto cool. A cidade com a saudade mais vetusta do mundo é também aquela com o coração indie e artístico mais palpitante: festivais, arte e petiscos.\n

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Uma cozinha cheia de petiscos

Os petiscos, versão portuguesa do aperitivo, arrasam no Porto em lugares como os Caldeireiros, com a sua salsicha de carne branca, a Trasca, com uma grande variedade e preços desde 1,50 EUR, e a Cantina 32, decorada com motivos industriais, com propostas vanguardistas em doses para partilhar.\n

O

porto retrocede no tempo. A primeira vez que estive na cidade que deu o nome a Portugal pareceu-me que tudo tinha parado nos anos 80: o grafismo dos letreiros, o asfalto das ruas e a decoração de todos os cafés de bairro. Nesta última viagem já vão pelos 60: a lentidão, as lojas com o bacalhau ao ar, as senhoras de lenço na cabeça e as lojas que vendem artigos como ratoeiras. Neste contexto, descobrir que existe o Porto moderno, onde se dirigem os jovens para assistir ao festival Primavera Sound, não pode ser mais paradoxal.

O coração que começou a bombear modernidade a esta cidade, Património da Humanidade, está no Museu de Serralves. Este edifício de traços vanguardistas, desenhado pelo prémio Pritzker Álvaro de Siza Vieira nos anos 90, converteu-se no símbolo da arte contemporânea do país. Em volta da sua mansão art déco estendem-se 18 ha de parque ajardinado povoado de esculturas.\n

Há outros exemplos de bom gosto contemporâneo que escandalizam a vetusta cidade do Porto: a Casa da Música, do holandês Rem Koolhaas, em formato de diamante, ou as coloridas fachadas das casas populares da Ribeira. Do arquiteto português Eduardo Souto Moura, também vencedor do Pritzker, é a recuperação da Alfândega do Porto, que alberga o Museu de Transportes e Comunicações, a porta de entrada da cidade mais moderna. Desde aí, nas ruas em redor da Torre dos Clérigos, surgem os estabelecimentos mais modernos que abriram nos últimos anos: salas de concertos, bares, clubs, restaurantes com cozinha de autor, lojas de cupcakes, vinotecas com referências do Douro, Alentejo ou Dão e boutiques.\n

Foto: SamuelZeller_Unsplash

As cores das casas populares da Ribeira são compostas por diversos materiais e por azulejos, um elemento decorativo bastante clássico no Porto.

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No Gallery Hostel “cada quarto conta uma história”. Os do edifício principal são um tributo às diferentes gerações de artistas da cidade.

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É igualmente o cenário dos pequenos mercadinhos urbanos, onde se perde até encontrar alguma joia de design artesanal. A livraria Lello, com a sua fachada neogótica, sobressai na Rua das Carmelitas. Homenageia as letras desde 1906 e cerca de 4000 turistas visitam todos os dias esta livraria, uma das mais bonitas do mundo. Muito perto daí encontra-se o BASE, um bar-jardim ao ar livre que o convida a deitar-se ao sol portuense.

Contudo, a rua onde o Porto demonstra definitivamente o seu poder cool é a Miguel Bombarda, da qual se diz ser a rua com mais galerias de arte da Europa. Cafés, workshops, lojas ecológicas, pátios e jardins interiores que se enchem a um sábado, a cada dois meses, quando as galerias inauguram as suas exposições. O catálogo inclui a O! Galeria, dedicada à ilustração portuguesa, a Serpente, onde convivem a pintura e as instalações de videoarte, e a Quadrado Azul, onde também podemos encontrar colagens ou fotografia. A zona está inundada de arte urbana, grafitos, autocolantes e mosaicos. Há ainda espaço para a moda na mundana Muuda, para os pequenos objetos de design na invulgar Águas Furtadas ou para uma refinada cerimónia de chá na Rota do Chá: três andares e um jardim de puro oásis asiático, nunca visto na tradicional capital atlântica.\n

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O coração que começou a bombear modernidade a esta cidade, Património da Humanidade, está no Museu de Serralves.

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Dormir com arte

O hotel mais artie do Porto é o Gallery Hostel, na Rua Miguel Bombarda, galeria de arte e hotel, num excêntrico edifício de 1906, no qual se realizam regularmente atividades culturais. Rosa et Ao, na Rua do Rosário, organiza exposições num ambiente caseiro de design vintage.
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Praias

Magazine

Praias

Bodrum, o Saint-Tropez turco

O “Paraíso de azuis eternos”, segundo Homero. Dez séculos depois, a cidade portuária turca atrai, por outros motivos, curiosos bon vivants e jet-setters que aumentam o seu censo todos os verões.\n

"O teu estado de espírito é o teu destino”, dizia o historiador grego Heródoto, originário daquela que era então conhecida como Halicarnasso. Na atual Bodrum é o destino que dita o espírito, com a sua alegria de viver e exuberância louca.\n

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Embora hoje se associe esta floresta à diversão e ao prazer mais exclusivo, até há uns anos era uma aldeia de pescadores onde se exilavam os dissidentes da então recém-nascida República da Turquia. Um deles, o escritor Cevat Şakir Kabaağaçlı, chegou a Bodrum em 1925. Foi tal o seu enamoramento que contagiou toda uma geração de artistas e escritores que têm marcado encontro neste domínio do Egeu, desde meados dos anos 40.\n

A maioria dos visitantes vem pelo clima, pela magnífica baía e pelas águas límpidas.

Este foi o despertar da lenda de Bodrum, mas não da sua história. O seu passado glorioso ainda se pode ler nas pedras. Recantos como o Mausoléu de Halicarnasso, uma das sete maravilhas do mundo antigo, ou o Castelo de São Pedro, construído com os cavaleiros de Malta e que hoje funciona como Museu de Arqueologia Submarina, são duas das suas heranças.
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Várias cadeias internacionais possuem resorts na costa, com todos os confortos.

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A maioria dos visitantes não procura os vestígios da invasão de Alexandre Magno; vêm pelo clima, pela magnífica baía e águas límpidas. Mas também devido à gentrificação de elevado poder de compra a que se tem assistido nos últimos anos. Os modernos arqueólogos de tendências fazem descobertas como a discoteca mais famosa do país, Halikarnas e o seu restaurante posh, Secret Garden, desenhado por Jade Jagger; ou o Billionaire Club, onde Flavio Briatore reinventou as regras do elitismo e do glamour. Um clube numa ilha privada, com uma piscina de 700 m2 onde modelos, famosos e pessoas bonitas, dançam ao ritmo comandado pelo DJ.\n

Para shopping victims

A 100 km a norte de Bodrum fica Kusadasi. Uma antiga aldeiazinha de pescadores, hoje zona balnear, onde fazem escala cruzeiros do mundo inteiro devido à sua proximidade com as ruínas de Éfeso. É famosa sobretudo pela sua oferta de centro comercial de objetos de couro, têxtil, ourivesaria, cerâmica e joalharia.
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Esta zona do Egeu é conhecida como “a Riviera turca”.

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A Bodrum chegam todos os dias centenas de turistas, na sua maioria jovens à procura de diversão. Invadem as praias, nadam durante o dia e nas noites agitadas assaltam os bistrots ao ar livre, as discotecas e os bares das ruas Cumhuriyet e Dr. Alim Bey, divertindo-se até ao raiar do sol. No porto de Palmarina rivalizam os últimos iates apresentados no Miami Yacht Show, a meio caminho entre a elegância e o bling bling mais sumptuoso. Os amantes dos desportos náuticos menos abastados podem alugar goletas ao dia e percorrer as deliciosas enseadas e ilhéus do litoral.

A península de Bodrum é uma coleção de belas praias de nomes difíceis de pronunciar para os estrangeiros: Bardakçi, Gumbet, Akbuk, Aktur, Bagla, Akyarlar... a de Ortakent surpreende por ser interminável; Karaincir pela sensação paradisíaca e pela sua dolce vita única, sendo a melhor promessa de passeios dedicados ao dolce far niente e animadas noites de música em companhia, com o intuito de glorificar a juventude e a beleza. Este é o espírito de Bodrum.\n

Nas costas de Bodrum podemos praticar desportos como o Flyboard.

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Clube náutico exclusivo

A 8 km do centro de Bodrum encontramos Yalikavak, o recanto mais exclusivo. Combina o encanto tradicional dos moinhos de vento com a modernidade do porto náutico de Palmarina e uma oferta gastronómica internacional. É uma das joias imobiliárias do país, com villas e coberturas de sonho.\n

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O Castelo de São Pedro foi reconstruído com as pedras do mausoléu de Halicarnasso.

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Tendências

Magazine

Tendências

Tome um banho (de floresta)

Para fazer terapia não é preciso passar pelo divã de um consultório. No Japão, o melhor método anti-stress é passear entre as árvores com os cinco sentidos bem despertos.\n

Deixar a natureza entrar por todos os poros da pele”, eis o que significa o termo japonês Shinrin-Yoku, que designa uma terapia que todos os anos praticam cerca de três milhões de pessoas, no país do sol nascente. A receita é simples: um passeio pela floresta. Uma comunicação direta com a natureza, conectando-se através dos cinco sentidos. Ouvir o movimento das folhas, apreciar as suas tonalidades, tocar nas árvores e nas pedras, respirar profundamente e evitar qualquer tipo de distração alheia ao próprio ambiente. São proibidos os aparelhos eletrónicos que interfiram neste diálogo com o ambiente. Cada passeio dura cerca de duas horas, é orientado por um monitor e ao chegar tem à sua espera uma infusão de casca de árvore. É o quinto sentido, o gosto.\n

Os primeiros passos daquilo que hoje é conhecido como Shinrin-Yoku, ou banho de floresta foram dados há mais de 30 anos no Japão (o governo cunhou o termo em 1982). No início inspirava-se em técnicas xintoístas e budistas e há pouco mais de uma década começaram a ser estudados os seus benefícios diretos para a saúde: reduz a pressão sanguínea, baixa os níveis de glicose no sangue e fortalece o sistema imunitário. Yoshifumi Miyazaki, antropólogo da Universidade de Chiba, é o responsável pelos principais estudos sobre o Shinrin-Yoku.\n

Uns guias de floresta muito peculiares

A Association of Nature & Forest Therapy não apenas organiza banhos de floresta, como também treina futuros guias. Os programas consistem numa semana de imersão (na Califórnia, Massachusetts, Irlanda, Ontário ou Nova Zelândia) com mais seis meses de prática.
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Os troncos de bambu atingem os 20 m de altura em Arashiyama.

Em 2011 e depois de analisar o estado de saúde de centenas de pessoas após um banho de floresta, assegurou que os estados de stress podem ser aliviados com este tipo de terapia. “Ao longo da nossa evolução passámos 99,9 % do nosso tempo em espaços naturais, pelo que as nossas funções fisiológicas continuam adaptadas aos mesmos. Durante a vida quotidiana, podemos conseguir uma sensação de conforto se sincronizarmos os nossos ritmos com os do meio envolvente.”- argumenta.

A Agência Florestal do Japão dispõe de uma rede de centros oficiais, formada por meia centena de florestas, prevendo-se que o seu número aumente nos próximos anos para responder à crescente procura dos Shinrin-Yoku. A natureza nipónica oferece muitas possibilidades que contrastam com o ritmo agitado das suas grandes cidades. Algumas empresas incentivam os seus trabalhadores a tomarem um banho de floresta como método anti-stress. A uma hora e meia da capital, Tóquio, encontra-se o Parque Nacional Chichibu-Tama-Kai.\n

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Aromaterapia como xarope

Entre os benefícios do Shinrin-Yoku também encontramos a aromaterapia, já que algumas árvores libertam um óleo essencial com diversas qualidades. De facto, no Japão, é comum utilizar o óleo de cipreste em tratamento com humidificadores.\n

Foto: Shirakami Sanchi World Heritage_Japan

As florestas cobrem dois terços do território nipónico.

Um sistema montanhoso com a maior concentração de árvores de folha caduca de todo o país e uma escapadela perfeita para mergulhar na natureza. As florestas de bambu, como Arashiyama em Quioto, também oferecem o ambiente adequado a esta terapia. O vento que passa por entre os talos de bambu foi votado pelos japoneses como um dos “100 sons do Japão que é preciso salvar”.

Os Estados Unidos da América não tardaram em adaptar esta ideia às suas florestas. Esta é a função da Association of Nature & Forest Therapy, fundada em 2012, com programas e passeios de “imersão” na Pensilvânia, Carolina do Norte, Califórnia... Não tão longe do Japão, na Coreia do Sul, também é habitual um retiro momentâneo em plena natureza. O National Forest Therapy Center promove o ecoturismo e facilita o acesso a espaços naturais para dar um “mergulho” entre as árvores, ou como lá lhe chamam, um salim yok.\n

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Os banhos de floresta aumentam a atividade das células NK, uma das primeiras linhas de defesa do corpo.

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Foto: Sokcho Korea501room_Shutterstock.com

O Instituto Florestal da Coreia do Sul confirma os benefícios para a saúde dos banhos de floresta.

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Paredes que quiseram ser banda desenhada

Los pitufos, Lucky Luke, Astérix, Tintín… Hay una manera diferente de leer cómics, basta con pasearse por Bruselas.\n

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s belgas inventaram o praliné e, portanto, não é por acaso que o aeroporto de Zaventem (Bruxelas) seja o local onde mais se vende chocolate no mundo. Mas esta não é a sua única paixão, nem o seu único recorde: a Bélgica dispõe do maior número de desenhadores de banda desenhada por quilómetro quadrado. É uma prova do seu amor incondicional pela nona arte. Com um roteiro de mais de 50 fachadas por toda a cidade, Bruxelas presta homenagem aos melhores autores e personagens de banda desenhada.

Esta arte tem uma longa tradição como linguagem artística na Bélgica. O seu nascimento está ligado à imprensa do início do século XX. Em 1929 é publicada a primeira banda desenhada do Tintim na revista Le Petit Vingtième. Considera-se que assim começou a escola de Bruxelas, que marcou toda uma corrente de desenhadores nas décadas de 40 e 50.

A partir dos anos 60, personagens como Blueberry (1963), escrito por Jean-Michel Charlier e ilustrado por Jean Giraud Moebius, adquirem o relevo da audácia gráfica característica da banda desenhada belga, mantida até hoje.

Escolas, museus e lojas de compra e venda e intercâmbio de cartoons misturam-se em Bruxelas com murais de rua e galerias como Petit Papiers que exibem as tendências mais vanguardistas do setor. Tintim e Os Estrunfes têm o seu próprio espaço na Boutique Tintin e Smurf Store. A BD (acrónimo também de Bande Dessiné), como é conhecida nos países francófonos a novela gráfica, representa na Bélgica mais de 80% do negócio editorial. Com mais de 230 milhões de exemplares vendidos, o Tintim é o mais desejado. Uma ilustração em tinta-da-china de Tintim e a Estrela Misteriosa atingiu 2,5 milhões de euros em leilão.\n

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FOTO: BRUSSELS©O.VAN DE KERCHOVE

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Bruxelas desenha a sua melhor festa

Desde 2010 que o festival Fête de la BD Stripfest enche as ruas da cidade com fãs de banda desenhada de todo o mundo. A grande festa das vinhetas organiza desfiles, assinaturas de livros, workshops e exposições. Este ano o encontro decorre entre 2 e 4 de setembro.\n

A ideia de pintar as fachadas da Bruxelas surgiu em 1991 como uma solução alternativa para decorar as paredes que ficavam descobertas após a venda de alguns edifícios. A maior concentração destes murais localiza-se na zona centro, entre a Grand Place, o bairro de Saint Géry e o miradouro do Palácio da Justiça. É possível descobri-los casualmente ou partir ao seu encontro com um roteiro organizado num mapa.

Se houvesse uma página inicial, esta seria o mural de Broussaille (Hergé). O jovem e a sua namorada instalam-se na Rue du Marché au Charbon. O mural original foi retocado em 1999 para tornar a personagem de Catherine mais feminina, pois os dois estavam pintados com o cabelo curto e calças e, como ficava perto do bairro gay, era interpretado como um casal masculino.

Mesmo em frente, Victor Sackville, o famoso espião durante a Primeira Guerra Mundial, abre caminho para outro tempo ao encontro do espetador. Da juventude mais irreverente de Hergé surge o mural dedicado a Quique e Flupi (Rue Haute). Poucos sabem que os dois jovens malandros aparecem numa vinheta de Tintim no Congo e noutra de A Estrela Misteriosa.\n

FOTO: SKYFISH/SHUTTERSTOCK.COM

No Ballon’s Day Parade, os gigantes da BD sobrevoam a cidade.

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FOTO: BOTOND HORVATH/SHUTTERSTOCK.COM

O Centro Belga da BD, um museu para crianças de todas as idades.

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A estátua de meio metro do menino a urinar e símbolo de Bruxelas, o Manneken Pis, encontra-se ao lado de um dos murais mais vistos: Tintim, Milú e o capitão Haddock (Rue de l’Étuve) descem por umas escadas numa cena de O Caso Girassol. A cativante personagem de Nero (Praça de Saint Gery) aproxima-se à procura de problemas perto do mercado de Les Halles. Lucky Luke, juntamente com a quadrilha dos Dalton ocupa um edifício inteiro (Rue de la Buanderie). Nesta mesma rua está o mural de Astérix e Obélix, “esses gauleses loucos”, a lutar contra os romanos.

O humor está presente nas homenagens ao Manneken Pis nos murais de Sike and Suzy e de Cubitus (Rue de Flandre). O bagageiro mais aventureiro, Spirou, destaca-se a vermelho, entre as bancas de segunda mão do bairro de Marolles.

As ruas não são as únicas que estão vestidas com ilustrações. Também é possível encontrar frescos nas estações de metropolitano. Os tintinófilos não podem perder o da estação Stockel, com 140 figuras extraídas de 22 das aventuras do jornalista mais viajado da história da banda desenhada.\n

A arquitetura modernista e a nona arte unem-se no Centro Belga da BD. Tintim e Os Estrunfes têm salas próprias. Mais de 1500 m2 dedicados a personagens, histórias e autores de banda desenhada. O grande foguetão de Rumo à Lua preside a entrada do edifício emblemático de Victor Horta.\n

Objetivo: amar a banda desenhada

Mais de 50 fachadas homenageiam os melhores autores e personagens da banda desenhada

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Ver a vida em cor-de-rosa

Já cantava a francesa Edith Piaf que não há nada como ver “a vie en rose”. Alguns lugares levam a frase à letra.

Fuji Shibazakura Festival

Um tapete colorido estende-se aos pés do Monte Fuji entre abril e maio. São cerca de 800 000 flores de musgo cor-de-rosa (shibazakura) que florescem nesta altura do ano.

Pink Beach (Komodo, Indonésia)

A cor tem uma explicação simples: é a mistura de areia branca e pigmentos vermelhos de coral. Fica no Parque Nacional de Komodo, casa do maior lagarto do mundo.

Lagoa Colorida (Uyuni, Bolívia)

A lagoa boliviana nem sempre é de cor avermelhada: durante o verão austral torna-se cor-de-rosa graças à presença de milhares de flamingos andinos. É o seu local de criação.

Mesquita de Putra (Putrajaya, Malásia)

Conhecida como a Mesquita Rosa, pode ser vista desde quase todos os lados do rio Putrajaya graças a uma cúpula inconfundível, cuja construção ficou concluída em 1999.

Lago Hillier (Ilha Middle, Austrália)

Mede 600 m de comprimento e aparece pela primeira vez nos diários do explorador Flinders, em 1802. A sua pigmentação incomum resulta da presença de bactérias nas suas águas salgadas.

Jaipur (Rajastão, Índia)

É a cor da hospitalidade. Por isso, o marajá pintou a cidade, desde o Palácio Hawa Mahal até às muralhas, para a visita do Príncipe Alberto Eduardo em 1876.

Foto: Powerbee-Photo / Shutterstock.com

A alternativa ao sakura

Na casa do dragão

Cor-de-rosa e vermelho, as cores da moda

De granito rosado

Um lago da cor da pastilha elástica

A cidade cor-de-rosa

Travelbeats

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Para fãs do Tim Burton

Dedicado à figura do diretor de O Estranho Mundo de Jack e Charlie e a Fábrica de Chocolate, o bar Beetle House (Nova Iorque) é uma homenagem às “coisas obscuras e encantadoras”. Deixe-se envolver pelo universo Burton, provando o coquetel This is Halloween ou o hambúrguer Eduardo Mãos de Tesoura. Não só o menu, mas também toda a decoração deste estabelecimento está relacionada com o cineasta e com os seus filmes.\n

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O tobogã dos adultos

Situado na torre ArcelorMittal Orbit de Londres, este é o tobogã mais alto (76 metros) e mais comprido (178 metros) do mundo. A descida, cheia de loops e curvas, dura 40 segundos, durante os quais pode (se abrir os olhos) contemplar uma vista panorâmica única sobre a cidade, graças às suas secções envidraçadas. A altura mínima para poder descer é de 1,30 metros.\n

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Amish por um dia

Lancaster (Pensilvânia) é o território Amish por excelência. Fora da cidade, afastados de todos os confortos e tecnologias do mundo atual, esta comunidade autossuficiente abre as portas ao mundo através da The Amish Experience. O tour VIP inclui a visita a uma quinta, a um fabricante artesanal (queijo, fiambre, brinquedos, etc.) e a uma casa. Sobreviveria umas horas sem o smartphone?\n

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Arte luminosa

As caves lúgubres da antiga fábrica de cerveja de Unna (Alemanha) acolhem o Centre for International Light Art, o primeiro museu de arte luminosa do mundo. O ruído das máquinas e trabalhadores foi substituído pelo dos visitantes, que usufruem deste espetáculo visual composto por 14 coleções permanentes e várias salas com exposições temporárias.\n

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Cabaret robótico

No Robot Restaurant do bairro de Shinjuku (Tóquio), enquanto janta, pode apreciar um espetáculo de música e de cor. Até aqui tudo normal. A coisa muda de figura quando os protagonistas do show são robôs gigantes tripulados por mulheres em biquíni. Por 8000 JPY pode assistir a uma das quatro sessões programadas das 4h00 da tarde às 11h00 da noite.\n

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Almofadas Ostrich Pillow

Design e sentido prático unem-se nestas originais almofadas do Studio Banana Things, desenvolvidas pelo estúdio Kawamura-Ganjavian para quem quer dormir em qualquer lado. O modelo Ostrich Pillow Light é mais discreto que a versão que cobre inteiramente a cabeça. Ambas são enchidas com partículas de silicone para atenuar o som.\n

Antena portátil GoTenna

Este acessório para dispositivos móveis permite enviar mensagens e mapas de localização via Bluetooth, mesmo que não exista ligação wi-fi, nem rede. É perfeito para excursões e desportos ao ar livre. É comercializado num pacote com duas unidades.\n

Mochila HP Powerup

A mochila oculta uma bateria de 22.400 mAh com energia suficiente para carregar totalmente um computador portátil, três tablets eletrónicos e dez smartphones. Também está acolchoada para proteger os dispositivos. Cabos incluídos.\n

Foto: Off the Road, Gestalten 2015

Off the Road, Gestalten

Cada vez mais pessoas decidem perder-se na natureza com a ajuda de um veículo que se transforma em cama, cozinha, transporte e amigo. Este livro recolhe as suas viagens por montanhas e desertos em busca de paz e aventura.\n

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